Com aparência de bala, sabores variados e consumo mais simples, os suplementos alimentares em formato de goma ganharam espaço entre produtos voltados à saúde e ao bem-estar. Creatina, vitaminas, melatonina e proteínas já podem ser encontrados nessa apresentação, que também se tornou frequente nas redes sociais e em conteúdos de influenciadores digitais.
Apesar da praticidade, a aparência não muda a natureza do produto. As gomas continuam sendo suplementos alimentares e precisam ser consumidas de acordo com a composição, a dose recomendada e a necessidade de cada pessoa.
A química industrial Andréa Pilusky explica que a fabricação exige controle sobre as diferentes etapas do processo para garantir que a quantidade das substâncias presentes no produto corresponda ao que está indicado em sua composição.
Segundo a especialista, o acompanhamento profissional é importante para assegurar que a concentração dos princípios ativos esteja adequada e que o produto atenda aos padrões estabelecidos para sua fabricação.
Formato de goma não significa mais eficácia
A transformação de suplementos em gomas está relacionada principalmente à praticidade e à experiência de consumo. Para algumas pessoas, o formato pode facilitar a ingestão e tornar o uso mais agradável.
Isso, porém, não significa que o organismo necessariamente absorva melhor uma substância apenas porque ela está em formato de goma.
A farmacêutica Cristiane Mettler, coordenadora dos cursos de Farmácia e Biomedicina da Unifax, ressalta que o consumidor deve observar qual substância está presente no suplemento e avaliar se existe, de fato, necessidade de utilizá-la.
O uso sem orientação também pode levar ao consumo excessivo de determinados nutrientes ou à ingestão de substâncias que não são necessárias para aquela pessoa.
Absorção depende da composição
Outro ponto que merece atenção é a absorção dos nutrientes. Segundo Cristiane, não é possível afirmar que um suplemento terá maior aproveitamento pelo organismo simplesmente por ser apresentado em goma.
A absorção pode variar de acordo com a substância utilizada, a composição do produto e as características individuais de quem o consome. Por isso, o formato não deve ser utilizado como indicador isolado de eficácia.
Comprimidos, cápsulas, pós e gomas podem apresentar diferenças na formulação, mas a escolha deve levar em consideração o suplemento específico e a necessidade do consumidor.
Suplementação precisa ser individualizada
A facilidade de encontrar suplementos pela internet e nas redes sociais também aumentou o acesso a produtos que nem sempre são necessários para todas as pessoas.
A indicação deve considerar fatores individuais e, quando houver necessidade, exames e avaliação profissional. Médicos e nutricionistas podem identificar deficiências nutricionais ou situações específicas que justifiquem a suplementação.
Por terem aparência e sabor semelhantes aos de doces, as gomas também exigem atenção para que não sejam consumidas de maneira indiscriminada. A apresentação mais agradável não significa que doses maiores sejam seguras ou que o produto possa ser tratado como uma bala comum.
Praticidade não substitui orientação
O crescimento dos suplementos em goma mostra uma estratégia da indústria para tornar produtos relacionados à saúde mais convenientes e atrativos para o consumidor.
A facilidade de consumo, entretanto, não deve ser confundida com maior benefício para o organismo. Antes de utilizar qualquer suplemento, é importante conhecer sua composição, verificar a dose indicada e avaliar se existe realmente uma necessidade de suplementação.
Mesmo quando parecem simples e inofensivas, as gomas continuam sendo produtos destinados a fornecer determinadas substâncias ao organismo. Por isso, a escolha e o consumo devem levar em conta as características de cada pessoa, e não apenas o sabor, o formato ou a popularidade do produto nas redes sociais.
*Da Agência Fonte Exclusiva








