Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, enfrenta uma série de denúncias envolvendo a demora no atendimento a pacientes com câncer na rede pública de saúde. Famílias relatam dificuldades para realizar exames, obter consultas especializadas e iniciar o tratamento oncológico em tempo hábil, situação que pode comprometer diretamente as chances de recuperação.
O município é considerado um dos principais polos de atendimento oncológico do interior do estado do Rio de Janeiro e atende, além da população local, pacientes de diversos municípios da região. Apesar da estrutura disponível, pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) afirmam enfrentar obstáculos burocráticos e falta de informações claras sobre o andamento dos processos de regulação.
Caso de paciente mobiliza população
Um dos casos que mais repercutiu é o de Joelma Fernandes, diagnosticada com um câncer raro e agressivo. Segundo familiares, ela aguarda há meses a realização de um exame fundamental para que o tratamento seja iniciado. Mesmo após decisão judicial favorável, a paciente afirma que ainda não conseguiu acesso ao procedimento.
A situação gerou forte comoção e motivou outras famílias a relatarem dificuldades semelhantes. Muitos pacientes afirmam que percorrem diferentes setores em busca de respostas, mas acabam enfrentando atrasos, desencontros de informações e incertezas sobre os prazos.
Campos dos Goytacazes é referência regional em oncologia e recebe pacientes de cidades como Macaé, Quissamã, Carapebus, São Francisco de Itabapoana, São João da Barra e São Fidélis.
Entre as unidades que prestam atendimento pelo SUS estão o Hospital Álvaro Alvim, o Hospital Dr. Beda e a Beneficência Portuguesa de Campos, todos credenciados para atendimento oncológico. A alta demanda regional aumenta a pressão sobre o sistema e amplia os gargalos no acesso aos serviços.
Defensoria Pública acompanha os casos
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro informou que já ingressou com diversas ações judiciais para garantir o acesso rápido ao tratamento de pacientes oncológicos em Campos. O órgão mantém um procedimento específico para acompanhar a situação e orienta os pacientes a procurarem atendimento presencial em caso de necessidade.
Segundo a instituição, atrasos em exames, consultas e encaminhamentos podem comprometer seriamente as chances de sucesso do tratamento, uma vez que o diagnóstico precoce e o início rápido da terapia são fatores decisivos para a recuperação.
Município e Estado dividem responsabilidades
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a regulação oncológica é coordenada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o município, cabe à rede municipal acolher os pacientes, inserir as informações no sistema estadual e acompanhar a liberação da chamada “chave UNACON”, que garante a primeira consulta especializada.
Já a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que o Complexo Estadual de Regulação é responsável por organizar o acesso às vagas disponibilizadas pelos prestadores de serviços no município.
A demora no atendimento também foi tema de debates na Câmara Municipal de Campos, onde parlamentares cobraram medidas urgentes para reduzir o tempo de espera dos pacientes.
Especialistas e autoridades da área jurídica defendem que o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal acompanhem o caso, considerando que a saúde pública é financiada com recursos municipais, estaduais e federais.
Pacientes pedem respeito e agilidade
Para quem recebe o diagnóstico de câncer, cada dia sem resposta representa medo, sofrimento e incerteza. Além da luta contra a doença, pacientes e familiares enfrentam o desgaste emocional de buscar exames, consultas e autorizações em um sistema que, segundo os relatos, não tem respondido com a rapidez necessária.
A principal reivindicação é por mais sensibilidade, transparência e eficiência no atendimento. “Quem tem câncer tem pressa” é a frase que resume o apelo de centenas de famílias que aguardam por um tratamento digno e urgente.
*Da Agência Fonte Exclusiva







