A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro promoveu nesta terça-feira (12) uma audiência pública para discutir os impactos da crise climática em favelas e periferias fluminenses.
O debate foi realizado pela Comissão Especial de Favelas e Periferias e reuniu parlamentares, pesquisadores, representantes do governo estadual e especialistas em clima e saúde pública.
Durante o encontro, foram apresentados dados que apontam o avanço da vulnerabilidade socioambiental nas comunidades do estado.
Um dos levantamentos citados foi do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, que indica que a Região Metropolitana do Rio registrou o segundo maior número de mortes associadas às ondas de calor no Brasil entre os anos 2000 e 2018.
Segundo os dados debatidos na audiência, os impactos atingem principalmente moradores pretos, pardos e periféricos, considerados mais expostos aos efeitos extremos do clima devido à precariedade de infraestrutura urbana.
A presidente da comissão, Renata Souza, afirmou que a crise climática precisa ser tratada como prioridade nas políticas públicas estaduais.
“A crise climática não é uma tragédia natural, ela é resultado da ausência de planejamento e investimento público”, declarou a parlamentar durante a reunião.
O colegiado informou que pretende ampliar o diálogo com o Governo do Estado para discutir medidas de prevenção, adaptação climática e proteção das populações mais vulneráveis.
Dados apresentados durante o encontro mostram que o estado do Rio possui 1.724 favelas, onde vivem cerca de 2,1 milhões de pessoas. Informações da ONG Redes da Maré apontam aumento de doenças, perdas de moradias e mortes relacionados aos eventos climáticos extremos nessas regiões.
Também foram debatidos os impactos das fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana em março de 2026. De acordo com o Fundação Oswaldo Cruz, mais de 200 chamados de emergência foram registrados durante o período, principalmente em cidades da Baixada Fluminense.
A coordenadora do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, Renata Gracie, destacou que a população periférica sofre efeitos acumulados da crise climática e defendeu ampliação de políticas preventivas.
Especialistas também alertaram para o agravamento dos eventos extremos nos próximos meses. O pesquisador Pedro Aranha afirmou que as previsões para o segundo semestre de 2026 indicam aumento das ondas de calor, enchentes e deslizamentos.
Já a subsecretária estadual de Mudanças do Clima e Conservação da Biodiversidade, Marie Ikemoto, afirmou que o estado trabalha para fortalecer políticas de adaptação climática e ampliar o apoio técnico aos municípios.
*Da Agência Fonte Exclusiva








