Com 26 anos de existência e educadores de excelente nível, a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) terá que passar por um processo de depuração para separar o joio do trigo, porque a eleição para reitoria da instituição, cujo segundo turno será realizado na terça-feira (17), mostra que o plantio necessita de adubo.
É preciso estabelecer uma linha divisória entre os doutores, com excelente produção acadêmica e servidores dedicados, dos embusteiros e politiqueiros, que contaminam a imagem desta respeitável instituição.
Assim como é preciso separar alunos realmente dedicados, dos que passaram por lá e se tornaram fantasmas que só incorporam no campus em momentos oportunos. Essa é a turma que reza na cartilha da política do baixo clero da política brasileira, algo que deveria soar estranho na instituição.
As sementes daninhas são servidores que atuam em diretoria de sindicatos e trocam a defesa dos direitos de suas respectivas categorias pelo adesismo fácil que passam distante dos interesses da coletividade.
É o que demonstram imagens de diretores do Sintuperj, sindicato que representa os servidores técnicos da instituição, em campanha do candidato à reitor pela chapa 10, Raúl Palácio. Um diretor executivo da entidade, Paulo Cesar Paes Fernandes, está envolvido diretamente na campanha da situação. Que loucura! É o funcionário trabalhando na campanha do futuro patrão.
Palácio é o candidato de uma reitoria que foi totalmente omissa ante o desmonte da instituição e que por isso tornou-se sócia de uma ação governamental que está debilitando a universidade.
O pior de tudo isso, é saber que os técnicos estão ludibriados com a promessa corroborada pelo sindicato de que ganharão uma reposição salarial referente aos últimos cinco anos. Não terão. O Estado do Rio não tem dinheiro e todos os caminhos sinalizam que o governo optará pela política de reajuste zero em 2020. Sem contar que o governador Wilson Witzel flerta com medidas que lhe permitam reduzir salários dos servidores estaduais, caso considere necessário. Serão tempos difíceis para os servidores.
Ao mesmo tempo escondem da categoria a real situação referente a decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que obriga a reitoria a anular os enquadramentos e progressões realizadas entre 2008 e 2015.
Agora fica também demonstrado por meio de uma reportagem do Portal VIU! que uma categoria de alunos com matrículas trancadas na instituição, continuam controlando o Diretório Central dos Estudantes (DCE), uma entidade que cruzou os braços diante da falta de pagamento do auxílio moradia dos associados.
Esses mesmo espertalhões estariam atuando com uma empresa promotora de eventos. Um dos rapazes, Gilberto Azeredo Gomes, tem entre as virações nomeações em cargos comissionados na esfera pública. A turma, pelo que se vê, é esperta e pratica a máxima: farinha pouca, meu pirão primeiro.
Nada acontece por acaso. Talvez, a assombração possa suscitar a oportunidade imperdível de se investigar quantos eventos e quais tipos de eventos foram autorizados dentro do campus. São questionamentos que não cessarão após as eleições.
É muita politicagem em um tempo só. Neste momento é preciso, no entanto, ter a parcimônia de neutralizar as generalizações, porque nem todo o corpo da universidade participa desta curriola.








