Palcos, salas de aula e espaços de pesquisa perderam uma presença importante da cultura baiana. O dramaturgo, diretor teatral e professor João Alberto Lima Sanches morreu no domingo (19), aos 47 anos, deixando uma carreira construída entre a criação de espetáculos, a produção acadêmica e a preparação de novos artistas.
A morte foi comunicada pela Fundação Gregório de Mattos, que lamentou a perda e destacou a contribuição de Sanches para as artes cênicas da Bahia e do Brasil. A causa do falecimento não havia sido informada até a última atualização.
Reconhecido pela versatilidade, João Sanches atuava como dramaturgo, encenador, diretor audiovisual e iluminador. Sua trajetória reunia experiências em diferentes linguagens, permitindo que transitasse entre o palco, a televisão universitária, a pesquisa e o ensino.
Entre as montagens associadas ao artista estão “Eu te amo mesmo assim”, “Pelo Telephone”, “Boca a Boca: um solo para Gregório”, “Revele!” e “A Paixão de Cristo”. Os trabalhos ajudaram a ampliar sua projeção no cenário cultural e demonstraram a diversidade de temas e formatos explorados ao longo da carreira.
Atuação uniu criação e pesquisa
João Sanches era professor adjunto da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia e integrava o Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da instituição.
Na universidade, participou da formação de estudantes, pesquisadores, dramaturgos, atores e diretores. Sua atividade acadêmica envolvia principalmente as áreas de dramaturgia, encenação e iluminação, aproximando a reflexão teórica das práticas desenvolvidas nos palcos.
Sanches era doutor e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA. Também possuía graduação em Comunicação Social pela Universidade Católica do Salvador.
A combinação entre formação acadêmica e experiência profissional permitiu que o professor desenvolvesse uma atuação baseada na criação artística, na pesquisa e na orientação de novos trabalhos.
Ao longo de sua passagem pela universidade, acompanhou projetos de conclusão de curso e pesquisas de pós-graduação voltadas a diferentes aspectos do teatro contemporâneo. A formação de artistas tornou-se, assim, uma parte central do legado deixado por ele.
Trabalho também alcançou o audiovisual
Além da atividade teatral, João Sanches ocupou a função de diretor de programação da TV UFBA.
No canal universitário, assinou roteiros e participou da direção de documentários, programas e outras produções audiovisuais. Essa atuação ampliou sua presença para além dos palcos e reforçou o caráter multidisciplinar de sua carreira.
O trabalho no audiovisual mantinha uma relação próxima com sua formação em Comunicação Social e com a experiência adquirida na construção de narrativas teatrais.
A capacidade de atuar em diferentes áreas fez com que Sanches fosse reconhecido não apenas como diretor ou autor, mas como um profissional dedicado a várias etapas da criação artística.
Três Prêmios Braskem de Teatro
A relevância de João Sanches foi reconhecida em diferentes momentos pelo Prêmio Braskem de Teatro, uma das principais premiações das artes cênicas da Bahia.
Em 2013, ele recebeu dois troféus: melhor autor e melhor espetáculo. No ano seguinte, voltou a ser premiado, desta vez na categoria de melhor espetáculo infantojuvenil.
As três conquistas ajudaram a consolidar seu nome entre os profissionais de destaque do teatro baiano. Os prêmios também representaram o reconhecimento à qualidade de sua dramaturgia e à condução das montagens levadas ao público.
Apesar da projeção alcançada pelas premiações, a trajetória de Sanches não ficou restrita aos grandes espetáculos. Ele também participou de projetos acadêmicos, produções independentes e atividades relacionadas à difusão cultural.
Comunidade artística presta homenagens
A confirmação da morte provocou manifestações de pesar entre artistas, professores, estudantes, ex-alunos e profissionais da cultura.
O presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, recordou que conheceu João Sanches ainda na adolescência e acompanhou seu desenvolvimento profissional. Os dois também trabalharam juntos no espetáculo “Revele!”, dirigido por Sanches.
O ator Jackson Costa destacou a intensidade com que o dramaturgo conduzia seus projetos e afirmou que ele se tornou uma referência em sua trajetória profissional. Outras homenagens ressaltaram a generosidade, o conhecimento e a dedicação de Sanches ao teatro.
A Fundação Gregório de Mattos manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas, alunos e integrantes da comunidade artística afetados pela perda.
Legado permanece nas artes cênicas
A morte de João Sanches interrompe uma carreira que mantinha diálogo constante entre tradição, experimentação e formação acadêmica.
Nos palcos, ele deixa espetáculos reconhecidos pelo público e pela crítica. Na universidade, permanece a influência exercida sobre estudantes e pesquisadores que tiveram contato com suas aulas e orientações.
Sua contribuição também está presente na aproximação entre teatro, comunicação e audiovisual, áreas que integraram sua produção durante diferentes fases da carreira.
A trajetória do dramaturgo demonstra que o fortalecimento das artes cênicas depende não apenas da criação de espetáculos, mas também da formação de profissionais, da pesquisa e da preservação de espaços destinados à cultura.
Aos 47 anos, João Sanches deixa uma obra marcada pela multiplicidade e pelo compromisso com o teatro. Sua atuação continuará sendo lembrada nas montagens que dirigiu, nos textos que escreveu e no trabalho dos artistas que ajudou a formar.
*Da Agência Fonte Exclusiva








