Evitar complicações antes que elas comprometam a recuperação do paciente foi o principal foco de uma formação realizada com profissionais da rede municipal de saúde de Carapebus.
Enfermeiros e técnicos de enfermagem participaram de uma atualização sobre os cuidados necessários para prevenir, identificar e tratar lesões por pressão.
A atividade foi promovida pela Secretaria Municipal de Saúde no Pronto Atendimento Carlito Gonçalves. O treinamento reuniu orientações práticas e conteúdos técnicos voltados principalmente ao atendimento de pessoas acamadas, internadas por períodos prolongados ou com dificuldades para se movimentar sem auxílio.
A capacitação foi conduzida pela enfermeira Patrícia Abelha, especialista em Dermatologia e docente da especialização em Estomaterapia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
A estomaterapia é uma área da enfermagem dedicada à assistência de pacientes com feridas, estomias, incontinências e outras condições que demandam acompanhamento especializado.
As lesões por pressão aparecem quando determinada região do corpo permanece comprimida contra uma superfície durante muito tempo. A pressão contínua prejudica a circulação sanguínea e pode provocar danos na pele e nos tecidos mais profundos.
Pacientes idosos, acamados, inconscientes ou com limitações motoras estão entre os grupos mais vulneráveis. O risco também aumenta quando existem problemas de circulação, desnutrição, umidade excessiva da pele ou doenças que dificultam a cicatrização.
Calcanhares, cotovelos, quadris, tornozelos e a região próxima ao sacro estão entre os pontos que exigem observação frequente por concentrarem maior pressão durante o repouso.
Sem atendimento adequado, uma alteração inicialmente superficial pode evoluir, atingir músculos e outras estruturas e aumentar o risco de infecção.
Um dos pontos reforçados durante o treinamento foi a necessidade de avaliar o risco desde o primeiro contato com o usuário.
A observação da pele deve ser incorporada à rotina da equipe, permitindo que possíveis alterações sejam identificadas antes do aparecimento de feridas mais graves.
Mudanças na coloração, calor, sensibilidade, endurecimento, inchaço ou dor localizada podem indicar que a área está sofrendo pressão excessiva.
Quando esses sinais são percebidos rapidamente, os profissionais conseguem ajustar o plano de cuidados e adotar medidas destinadas a interromper a progressão da lesão.
O reposicionamento periódico do paciente foi apresentado como uma das principais estratégias de prevenção.
A mudança de postura ajuda a redistribuir o peso corporal e reduz o tempo de pressão sobre regiões vulneráveis. A frequência do procedimento deve ser definida conforme a condição clínica, a capacidade de movimentação e as necessidades de cada pessoa.
Também são importantes a higiene adequada, a hidratação da pele e o controle da umidade provocada por suor, secreções ou incontinência.
Colchões especiais, almofadas e outras superfícies de apoio podem auxiliar na distribuição da pressão, mas não substituem a avaliação contínua e os demais cuidados realizados pela equipe.
A formação também chamou a atenção para as lesões relacionadas ao uso de dispositivos médicos.
Máscaras, sondas, tubos, cateteres, colares cervicais e equipamentos respiratórios podem exercer pressão constante sobre determinadas áreas do corpo.
Por isso, os profissionais precisam verificar regularmente os pontos de contato, avaliar o ajuste dos dispositivos e observar se existem sinais de irritação ou comprometimento da pele.
Quando permitido pelo tratamento, pequenas alterações na posição do equipamento podem contribuir para reduzir a pressão sem prejudicar sua finalidade clínica.
Outro tema abordado foi a documentação das avaliações e dos procedimentos adotados.
O registro permite acompanhar a evolução do paciente, comparar alterações e verificar se as medidas preventivas estão produzindo os resultados esperados.
As anotações também facilitam a comunicação entre os profissionais dos diferentes turnos e reduzem o risco de interrupções no plano de cuidados.
Quando uma lesão é identificada, devem ser observadas características como localização, tamanho, profundidade, aparência e condição da pele ao redor.
Essas informações ajudam a equipe a definir o tratamento e a acompanhar possíveis sinais de melhora ou agravamento.
O controle das lesões por pressão não depende exclusivamente da enfermagem. Embora enfermeiros e técnicos tenham participação central no acompanhamento diário, o cuidado deve envolver diferentes profissionais.
Médicos, fisioterapeutas e nutricionistas podem contribuir para a recuperação da mobilidade, o controle de doenças associadas e a melhoria das condições nutricionais necessárias à cicatrização.
Familiares e cuidadores também precisam receber orientações quando o paciente continua acamado após deixar a unidade de saúde.
A atuação integrada permite considerar não apenas a condição da pele, mas todos os fatores capazes de aumentar o risco de complicações.
Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Queiroz, a qualificação permanente das equipes contribui para melhorar a assistência prestada à população.
Segundo ele, a atualização dos conhecimentos amplia a segurança dos procedimentos, fortalece a eficiência dos serviços e favorece um atendimento mais humanizado.
O secretário destacou ainda que oferecer oportunidades de formação representa uma maneira de reconhecer e valorizar os servidores que atuam diretamente no cuidado dos pacientes.
A iniciativa faz parte das ações de educação permanente da Secretaria Municipal de Saúde. A proposta é manter as equipes atualizadas sobre protocolos, técnicas e procedimentos utilizados nas unidades da rede pública.
Com o treinamento, a Secretaria de Saúde pretende aprimorar os protocolos adotados no Pronto Atendimento Carlito Gonçalves e ampliar a capacidade de identificação dos pacientes mais vulneráveis.
A expectativa é que os conhecimentos sejam aplicados desde a admissão do usuário, permitindo que as medidas preventivas sejam iniciadas antes do surgimento de feridas.
Por permanecerem em contato constante com os pacientes, os profissionais de enfermagem ocupam uma posição estratégica na identificação de mudanças clínicas.
A capacitação realizada em Carapebus busca transformar a atualização técnica em ações concretas, reduzindo riscos evitáveis e garantindo um atendimento mais seguro, individualizado e humanizado.
*Da Agência Fonte Exclusiva








