Uma mansão em Angra dos Reis que há anos alimenta uma disputa envolvendo o atacante Richarlison ganhou um novo capítulo, agora dentro de uma investigação patrimonial conduzida no Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes determinou a indisponibilidade de bens ligados ao advogado Willer Tomaz, e a restrição alcançou também o imóvel localizado na Ilha Comprida, no litoral do Rio.
A medida aparece na matrícula da propriedade, registrada em nome da WT Administração de Imóveis e Bens, empresa vinculada a Tomaz. Segundo documento consultado pelo Metrópoles, a indisponibilidade entrou na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens em 26 de outubro e depois foi averbada pelo cartório de Angra dos Reis. Na prática, a restrição impede que o imóvel seja vendido ou transferido enquanto permanecer em vigor.
O bloqueio, porém, não significa que Richarlison tenha recuperado a mansão. A medida decorre de outra frente judicial e está relacionada às investigações que envolvem Willer Tomaz e suas empresas. A disputa sobre os direitos de ocupação da propriedade passou anteriormente pela Justiça estadual e pelo Superior Tribunal de Justiça, com decisões favoráveis à empresa ligada ao advogado.
Bloqueio faz parte de investigação mais ampla
A restrição sobre a mansão integra um conjunto de medidas adotadas por Moraes contra Willer. Em 23 de outubro, o ministro determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial e da suspensão dos passaportes do advogado. A ordem alcançou bens móveis, imóveis, embarcações, aeronaves e empresas vinculadas ao investigado.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo negócios relacionados a plataformas de apostas. As medidas foram adotadas depois que a Polícia Federal identificou que Tomaz havia viajado para Miami após ser alvo de busca e apreensão em agosto. Até a publicação das informações mais recentes, não havia registro de retorno ao Brasil.
É dentro desse bloqueio patrimonial mais amplo que a propriedade de Angra passa a ficar indisponível. Portanto, a decisão não nasceu da disputa com Richarlison, embora atinja justamente o imóvel que colocou os dois lados em confronto judicial nos últimos anos.
A disputa pela mansão
O conflito começou depois que uma empresa ligada a Richarlison adquiriu direitos sobre o imóvel e investiu na propriedade. O jogador afirma ter desembolsado cerca de R$ 10 milhões entre aquisição, indenizações e reformas e sustenta publicamente que acabou perdendo a posse de forma irregular.
Willer apresenta outra versão. O advogado afirma que a empresa ligada ao atacante comprou direitos de quem não era proprietário legal e sustenta que sua própria aquisição ocorreu de forma regular, com escritura, registro e documentação da Secretaria do Patrimônio da União.
A discussão chegou ao Judiciário. Em 2025, o STJ manteve decisões que favoreceram a WT Administração de Imóveis e Bens na disputa pelos direitos de ocupação. Richarlison, contudo, continuou contestando publicamente o episódio e cobrando os valores que afirma ter investido na propriedade.
Nos últimos meses, o conflito voltou às redes sociais. Tomaz chegou a recorrer à Justiça para tentar impedir novas publicações do atacante e pedir a remoção de conteúdos relacionados ao caso. No fim de outubro, a Justiça do Distrito Federal negou o pedido de urgência que pretendia barrar manifestações futuras, ao considerar que uma proibição prévia poderia se aproximar de censura. A ação indenizatória, entretanto, continua em andamento.
Imóvel fica parado enquanto investigação avança
A nova decisão muda a situação patrimonial da mansão, mas não resolve o antigo conflito entre os envolvidos. Enquanto a indisponibilidade estiver registrada, a empresa não poderá negociar livremente o imóvel, mas isso não representa uma transferência automática de direitos para Richarlison.
Também são processos com objetos diferentes. De um lado está a disputa sobre quem tinha os direitos de ocupação da propriedade, tema que passou pela Justiça e pelo STJ. De outro, está o inquérito que investiga Willer Tomaz e que levou Moraes a restringir seu patrimônio.
Essa distinção é importante porque o bloqueio pode parecer, à primeira vista, uma vitória judicial de Richarlison na disputa pela mansão. Até o momento, não é isso que a decisão estabelece.
O que mudou nesta semana foi o destino imediato do imóvel: uma propriedade que já esteve no centro de uma batalha judicial milionária agora também passa a integrar o patrimônio que não pode ser movimentado enquanto avançam as investigações contra Willer Tomaz.
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