A série de reportagens “República dos Royalties”, publicada pelo Diário da Guanabara, tem provocado um verdadeiro tsunami na política capixaba, ao expor um intrincado esquema de corrupção e desvio de recursos públicos na cidade de Presidente Kennedy, no Espírito Santo.
Este município, com pouco mais de 13 mil habitantes, detém um dos maiores PIBs per capita do país, graças aos vultosos repasses de royalties de petróleo e participação especial. No entanto, essa riqueza contrasta drasticamente com a realidade social da cidade, que ainda carece de infraestrutura e serviços básicos adequados.
As investigações revelam indícios de desvios milionários, licitações fraudulentas e uma preocupante inércia dos órgãos de controle, levantando sérias questões sobre a gestão dos recursos provenientes da exploração petrolífera.
A série, que já conta com diversos capítulos, mergulha fundo nos bastidores desse esquema, revelando personagens-chave e as complexas teias de influência que permitem a perpetuação da corrupção.
Denúncias e os personagens envolvidos
As reportagens do Diário da Guanabara desvendam um modus operandi que se repete em diversas frentes, caracterizado por:
Desvio milionário: O cerne das denúncias aponta para o desvio de mais de R$ 200 milhões dos cofres públicos de Presidente Kennedy. Um exemplo emblemático é o caso da empresa Shark Negócios e Empreendimentos Ltda., anteriormente conhecida como Lopes do Brasil Ltda., que teria movimentado mais de R$ 13 milhões em apenas cinco meses por meio de transferências via PIX. Essa movimentação financeira, atípica para uma empresa de seu porte e histórico, levanta sérias suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos.
Empresas “Laranja”: Para ocultar os verdadeiros beneficiários do esquema, são utilizadas empresas com “laranjas” em seu quadro societário. O caso do lavador de carros que figurava como proprietário da Shark Negócios é um dos mais chocantes, evidenciando a sofisticação e o cinismo dos envolvidos na fraude.
Licitações manipuladas: O esquema se baseia na manipulação de licitações para garantir que contratos milionários sejam direcionados a empresas específicas, controladas pelo grupo. A denúncia de que um único grupo empresarial vencia com preços cheios, enquanto os demais eram desclassificados, revela a ausência de concorrência e a predeterminação dos resultados.
Inércia dos órgãos de controle: Um dos pontos mais alarmantes da série é a aparente letargia e o possível aparelhamento político dos órgãos de controle externo capixabas. A falta de ação diante de evidências tão contundentes de corrupção levanta questionamentos sobre a efetividade da fiscalização e a proteção do erário público.
Interferência política: Há alegações de que investigações cruciais, como a “Operação Onzena” do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), foram paralisadas por interferência política de figuras influentes, demonstrando o poder de articulação dos envolvidos para blindar o esquema.
Ameaças e perseguição: Denunciantes que ousam expor o esquema relatam ameaças e perseguição, incluindo a fabricação de relatórios falsos para desqualificá-los. Essa tática visa intimidar e silenciar aqueles que buscam a verdade e a justiça.
O homem que sabe demais: As revelações explosivas de Waguinho sobre o esquema dos R$ 200 Milhões em Presidente Kennedy (ES). pic.twitter.com/k30pOhWGAe
— Diário da Guanabara (@diarioguanabara) July 19, 2025
Os principais personagens
Gilbert Wagner Antunes Lopes (Waguinho / Batman) – Ex-militar e figura central nas denúncias, Waguinho está foragido da Justiça, mas tem utilizado vídeos nas redes sociais para expor o esquema. Ele se apresenta como vítima de uma armação política e afirma possuir um vasto arsenal de provas, incluindo áudios, documentos e gravações. Waguinho foi secretário de Limpeza Urbana de Marataízes e ex-proprietário da Lopes do Brasil Ltda., que posteriormente se tornou Shark Negócios Ltda.
Leonardo Rios Batista (Leo Goela) – Apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema, Leo Goela é descrito como tendo fortes ligações políticas. Ele teria sociedade com o procurador municipal Rodrigo Lisboa e seria o responsável por controlar a Shark Negócios.
Rodrigo Lisboa – Procurador-Geral de Presidente Kennedy, Lisboa é acusado por Waguinho de usar sua posição para paralisar investigações que o comprometeriam e de ter sociedade com Leo Goela no esquema. Waguinho também alega ter recebido ameaças diretas de Lisboa, apontado por ele como líder do esquema de desvios na Prefeitura.
Marcelo Santos (União) – Deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Marcelo Santos é acusado por Waguinho de ser o verdadeiro proprietário das empresas Queen e Shark, utilizando Leo Goela como “laranja” para ocultar sua participação nos desvios.
Dorley Fontão (PSB) – Ex-prefeito de Presidente Kennedy, Fontão é citado por Waguinho como alguém com quem ele teria tido proximidade e acesso aos bastidores do poder local. A eleição de Fontão para prefeito em 2024 foi anulada, adicionando mais um capítulo à crise política do município.
Thiago Viana – Delegado da Polícia Civil acusado por Waguinho de fabricar um relatório falso para incriminá-lo, invertendo os papéis na investigação, para servir como cortina de fumaça ante ao esquema e produzir conteúdos para mídia alinhada ao governo visando desmoralizar as denúncias.
Ex-militar foragido da Justiça denuncia em vídeos uma teia de corrupção em uma das cidades mais ricas do Espírito Santos. https://t.co/lnVn6ei7ID pic.twitter.com/kjTvAePhOk
— Diário da Guanabara (@diarioguanabara) July 19, 2025
O impacto e a necessidade de respostas
As denúncias de Waguinho, embora ainda não tenham sido formalmente investigadas pelas autoridades competentes, pintam um quadro alarmante de corrupção sistêmica em um município que, apesar de sua riqueza em royalties, não consegue traduzir esses recursos em benefícios para sua população.
A série do Diário da Guanabara se propõe a continuar aprofundando essas investigações, prometendo novas revelações e expondo as conexões políticas que permitem a perpetuação desses esquemas de desvio de dinheiro público no Espírito Santo.
A série “República dos Royalties” não apenas expõe um esquema de corrupção de proporções gigantescas, mas também lança luz sobre a fragilidade dos mecanismos de controle e a influência política que permeia a gestão dos recursos públicos. A discrepância entre a riqueza gerada pelos royalties e a realidade da população de Presidente Kennedy é um reflexo doloroso da má gestão e da corrupção.
Nesta segunda-feira (21), o programa Direto da Redação, apresentado pelo jornalista Roberto Barbosa, destaca os bastidores e as revelações explosivas feitas por Waguinho.
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Direito de resposta
O Portal VIU! mantém seus canais abertos para o exercício do direito de resposta e contraditório por parte de todos os citados nas denúncias apresentadas por Gilbert Wagner Antunes Lopes. As acusações apresentadas nesta reportagem refletem exclusivamente as declarações do denunciante e não representam posição editorial deste veículo.
Esta reportagem cita conteúdo da série “República dos Royalties”, que investiga o uso dos recursos públicos provenientes dos royalties do petróleo nos municípios capixabas. Acesse todas as matérias da série.








