Em anúncio publicado na última terça-feira (04), a Opep+, Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, reafirmou a intenção de aumentar a produção em 400 mil barris por dia (bpd) a partir de fevereiro.
A medida visa aumentar a oferta de petróleo no mercado mundial, equilibrando os preços, mas a elevação na produção ainda estará em nível insuficiente para uma reversão na cotação.
Na última semana, a cotação internacional do barril tipo Brent bateu US$ 80,70, mas as projeções de alguns especialistas diante dos movimentos do cartel de produtores já prevê a cotação na casa dos US$ 60 até o final deste ano.
São apenas projeções dentro de um mercado altamente volátil e sujeito a ventos e tempestades, é bom que se diga. Existem fatores geopolíticos e econômicos que podem alterar tudo na velocidade do pensamento.
O preço do petróleo nos últimos anos foi impactado por seis quedas consecutivas de reservas. Esta escassez de oferta gerou uma forte pressão sobre a cotação do barril, produzindo um efeito cascata sobre o mercado consumidor.
O petróleo em alta, por outro lado, contribuiu para turbinar a arrecadação das cidades beneficiárias de royalties do petróleo e Participação Especial, que retornaram aos patamares históricos de repasses.
Mas agora, no mercado internacional, a Opep+ trabalha por um reequilíbrio, ainda que alguns fatores possam influenciar na política de preços. Esse aumento na produção já estava nos planos desde julho de 2021, conforme chegou a ser noticiado no Portal VIU!.
Um deles é o impacto da variante Ômicron do novo coronavírus, que implica na restrição de circulação de pessoas e de mercadorias, ainda que o movimento do cartel de produtores seja no sentido de recuperar os patamares anteriores à pandemia.
Influência de fatores geopolíticos
Há também fatores geopolíticos. A Líbia, um dos grandes produtores, enfrenta uma guerra interna, evidenciando o cenário mais problemático no panorama geopolítico internacional. Os distúrbios civis já provocaram a redução da produção interna, no patamar de 300 mil barris por dia.
Angola e Nigéria tem potencial para aumentar a produção, só que necessitam de investimentos, assim como a Rússia, outro grande produtor, tem dificuldades de aumentar a produção, mantendo-se atualmente no mesmo nível de extração da Arábia Saudita.
A cotação do petróleo em alta é tudo que os governos petrorrentistas no Brasil almejam. As divisas, no entanto, não serão destinadas às medidas de mitigação social para enfrentar a fome e o desemprego nessas cidades.
Boa parte dos prefeitos estão se mostrando ávidos por gastos com obras, segmento que tem se mostrado um grande canalizador de propina.
Farra de gastos nas cidades petrorrentistas
E agora, que muitas cidades estão diante de inundações, o cenário é perfeito para que as divisas de royalties nesses tempos de fartura sejam drenadas para as farras de dispensas de licitação respaldadas por decretos de emergência e calamidade pública.
Se a cotação do petróleo baixar, é possível que muitos municípios petrorrentistas voltem a ficar em apuros, porque todos estão programados para trabalhar com receita em alta e desacostumados aos tempos recentes de vacas magras.








