O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que está efetuando o levantamento das áreas atingidas por queimadas de canaviais de cana em São Francisco de Itabapoana, Norte Fluminense.
A iniciativa, segundo o órgão, buscará identificar os responsáveis pelos incêndios “e assim adotar as medidas cabíveis, conforme a legislação ambiental”.
Queimadas em período de safra no setor sucroalcooleiro é um grande problema para o meio ambiente e também para moradores do município do Norte Fluminense, que enfrentam a emissão de fuligem (causa de sujeira e poluição ambiental), além de provocar uma grande incidência de problemas respiratórios, principalmente em crianças e idosos.
Um dos incêndios se deu na noite da quinta-feira (10), conforme denunciado por reportagem da agência Fonte Exclusiva, publicada no Portal VIU!.
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Equipes do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para controlar o incêndio que chegou a ameaçar a Reserva Ecológica Estadual de Guaxindiba, uma extensa área remanescente da Mata Atlântica. O fogo teria como origem a propriedade do ex-prefeito do município, Barbosa Lemos.
A cana seria destinada à Usina de Paineiras, em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Mas em nota enviada à redação do Portal VIU!, a indústria afirma que “toda a cana-de-açúcar plantada na referida região destinada à Usina Paineiras é cadastrada pela Asflucan, no programa do Inea, conforme determinada o TAC, para que sua queima seja realizada.”
Pelo TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com o Ministério Público Federal, a Asflucan (Associação Fluminense dos Plantadores de Cana) é a responsável pelo monitoramento das queimadas. A entidade, no entanto, ainda não se manifestou sobre os incidentes em São Francisco.
Outro destino de parte da produção de cana queimada seria a usina Sapucaia, administrada pela Coagro (Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro), em Campos dos Goytacazes (RJ).
Em nota enviada à redação, a Coagro afirmou que “desenvolve um trabalho de orientação e conscientização junto aos seus cooperados, já que a Coagro não possui cana plantada”.
“Para colaborar com os fornecedores, a cooperativa investiu nos últimos 4 anos, o equivalente a R$ 35 milhões, na modernização do parque industrial e aquisição de equipamentos para a colheita da cana crua (sem queima) dos nossos cooperados”, diz um trecho da nota.
A cooperativa cita que os recursos foram usados na aquisição de um equipamento para receber cana crua cortada manualmente. “O equipamento já foi utilizado com sucesso na safra 2019. Com ele é possível fazer a limpeza da cana crua, sem a utilização de água, uma medida adotada, também para evitar o desperdício de água. O equipamento é único no do estado do Rio”, diz a nota.
“Também fizemos um convênio com uma universidade alemã para desenvolvimento de colheitadeiras para atender pequenos produtores, com um protótipo já em funcionamento”.
A reportagem também ouviu a direção da Usina Nova Canabrava, unidade industrial localizada na divisa entre Campos e São Francisco.
“A Nova Canabrava, desde sempre, vem cumprindo as normas estabelecidas na Lei nº 5.990, de 20 de junho de 2011, no que se refere a queima da palha da cana-de-açúcar, inclusive, comunicando à Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan) – conforme Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a mesma e o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) -, quanto aos locais e datas das queimas, recolhendo as devidas taxas”, diz a indústria.
Já o Ministério Público Federal (MPF) foi procurado por meio de contato com a assessoria de imprensa, mas até o fechamento da reportagem não se manifestou sobre as queimadas.








