Bispo Edir Macedo promove demissões e encerra programação local numa emissora que passa a integrar a Rede Aleluia, mais um império de sua máquina de fazer dinheiro |
Por Paulo Renato Porto | Especial para VIU ONLINE |
Depois de enterrar de vez a tradicional Rádio Cultura de Campos-RJ, patrimônio da radiofonia desta planície goitacá, eis que o grupo religioso da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, um homem de deus e sem nenhum apego aos bens materiais, pronto a livrar os fiéis das profundezas do inferno, acaba de assassinar também a programação eclética e repleta de dinamismo, informação, entretenimento e ótimos profissionais da Rádio Record/Campos.
Em tempo: a Rádio Cultura de Campos, fundada pelo professor Mário Ferraz Sampaio, está para Campos como a Rádio Nacional está para o Brasil, um patrimônio do povo de uma cidade, onde afloraram e cresceram memoráveis talentos da música, cantores, atrizes, atores, novelistas, diretores, personagens da época de ouro do rádio campista, cuja história foi atirada na lata do lixo.
Ironias, reminiscências e lamúrias à parte, o senhor Edir Macedo e seus asseclas acabam de fazer da programação da Record uma transmissão da Rede Aleluia, mais um império de sua máquina de fazer dinheiro.
Não professo nenhuma religião, nada tenho a favor ou contra igrejas, cada um faça o que quiser e assuma suas escolhas, mas questiono os privilégios dessas organizações que deveriam, como quaisquer outras (inclusive a católica) pagar impostos à altura dos milhões que arrecada.
Como também questiono onde está a responsabilidade social de um grupo que recebe uma concessão pública e faz dela o que bem entende, inclusive o proselitismo religioso num Estado laico?
Daí a conclusão quanto à necessidade urgente de um novo marco regulatório nas concessões dos veículos de comunicação neste país, com a finalidade de se evitar os absurdos privilégios desses grupos privados e seus interesses, que não representam o conjunto dos interesses da sociedade.
O marco regulatório nas comunicações não representa censura aos veículos, mas controle social, como ocorre em qualquer outro pais civilizado do mundo.
Portanto, regulamentar essa atividade não se trata de nenhuma “jabuticaba brasileira”.
Diferente dos jornais e revistas, veículos que se utilizam de canais privados para circular e são lidos a partir da vontade individual e espontânea dos cidadãos, o rádio e televisão trafegam por canais públicos, entram em nossas casas e operam como concessões públicas, outorgadas pelo Estado, em nome da sociedade.
São concessões temporárias com 15 anos de duração, uma informação que é sonegada ao público por aqueles que tem o dever de informar, levar educação e cultura, observando-se, inclusive as diversidades regionais deste imenso país.
A maioria da população tende a acreditar que empresas como a Globo, Record ou SBT são donas do espaço e não empresas ocupantes eventuais. Isso precisa ser incutido na consciência coletiva, algo que os monopólios tradicionais nas mãos de cinco famílias insistem em tornar algo tão obscuro e de escasso acesso do conjunto da população.
Para isso, eles tem seus testas de ferro no Congresso Nacional, sempre prontos a defender seus interesses, deputados lacaios e subservientes cujas campanhas são financiadas a peso de outro por esses grupos.
Aos meus amigos e colegas da Rádio Record, minha sincera solidariedade. Apesar desses tempos mais que bicudos, outras portas haverão de se abrir.








