Fundador do Diário do Centro do Mundo lutava contra um câncer há dez meses; corpo será sepultado em São Paulo;
O jornalismo brasileiro está de luto. Morreu Paulo Nogueira, criador e editor do site Diário do Centro Mundo (DCM). Ele lutava contra um câncer há dez meses. É uma referência profissional e me deixa, particularmente, uma lembrança de companheirismo e generosidade.
Quando fundava o portal VIU ONLINE e a revista VIU! há cinco anos, busquei algumas parcerias de jornalistas consagrados para utilização de conteúdo. Paulo Nogueira, que também estava na fase inicial do Diário do Centro do Mundo, foi um deles e a resposta positiva foi imediata. Era uma injeção de entusiasmo na hora certa. A VIU!, assim como o DCM, foi avante e conseguiu se consolidar. São, portanto, projetos contemporâneos e bem sucedidos.
Nogueira apostava na força do jornalismo de opinião e na plataforma digital. Foi brilhante em seus textos, convicto na defesa de suas crenças e nadou com bravura contra a corrente golpista que tomou o Brasil de assalto. Paulo não morre. Faz uma viagem e continuará vivo para leitores, fãs e amigos.
Transcrevo abaixo o texto publicado por Kiko Nogueira, irmão de Paulo, no DCM.
PAULO NOGUEIRA (1956 – 2017)
*Por Kiko Nogueira
Paulo Nogueira morreu na noite de 29 de junho. Tinha 61 anos.
Estava com câncer. Depois de uma batalha de dez meses, finalmente descansou.
Paulo está vivo.
Paulo está em seus filhos: meus sobrinhos Emir, Pedro, Camila e Fernando. Paulo está em minhas cunhadas Erika e Luísa.
Está nos seus irmãos Mari, Zé, Kika. Nos seus sobrinhos e sobrinhas. Na minha tia Maria Ely. Nos amigos, como Sergio Berezovsky, Caco de Paula, Bia Parreiras e aqueles que peço desculpas por não citar nesse momento.
Está em mim e em você.
Está em seu legado vasto e generoso, digno do nosso pai, o jornalista Emir Nogueira, a quem Paulo dedicou linhas e linhas de beleza e gratidão.
Ele fez de tudo no jornalismo. Foi repórter, editor, diretor de redação, superintendente. A maior parte da carreira na Editora Abril, outra parte na Editora Globo, os anos mais recentes neste Diário do Centro do Mundo.
Um dos maiores jornalistas do país, passou pela Veja, foi editor da Veja São Paulo, reinventou a Exame, lançou diversas outras publicações.
Deixou sua marca em cada uma delas. A vibração, a provocação, o apuro, a busca da excelência. Antecipou tendências, fez acontecer.
Nunca foi santo. Era duro. Era também de uma paciência infinita. Fez companheiros para a vida toda nas redações e revelou vários talentos. Fez inimigos, também, como todo grande homem.
“Sempre que você se desentender com alguém, lembre que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos”, dizia, repetindo Marco Aurélio, o imperador romano, seu filósofo de cabeceira.
O DCM era seu projeto preferido. Ele falava do privilégio de poder exercer o ofício depois dos 50. Poderia ter tido uma aposentadoria tranquila, jogando tênis e pôquer às margens do Tâmisa.
Preferiu combater o bom combate, com a mesma paixão de sempre. Em 2012, quando começamos, comemorávamos quando conseguíamos alcançar 20 mil visualizações num dia. Ele de Londres, eu de São Paulo. Hoje são 500 mil.
O Paulo tinha uma visão e a perseguia com a mesma obstinação que tinha jogando futebol (um dia eu conto do gol mais bonito que ele fez. Um dia eu faço isso, quando não me doer desse jeito).
A utopia do Brasil escandinavo, um Brasil mais justo, foi a nossa bússola no DCM. Continuará sendo.
Uma vida intensa, um homem que fez tudo à sua maneira. Nasceu e morreu no mesmo quarto na casa dos nossos pais, no Jardim Previdência.
Como ele queria.
O Paulo vive. Obrigado, Fratello.
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Aos amigos que quiserem prestar a última homenagem ao Paulo, seu corpo será velado no Cemitério Gethsêmani do Morumbi nesta sexta, 30, das 10h às 15h. Praça da Ressurreição, número 1.








