A definição britânica e o principal papel das mídias no apelo as emoções; a mentira naquele antigo e consagrado sentido de falar difícil;
Almoçando com a querida Profa. Dra. Arlete Sendra, no Opção 21 (restaurante recentemente fechado em Campos dos Goytacazes-RJ), usamos a “pós-verdade”, como domínio do papo contemporâneo que tivemos lato-sensu. Essa nova palavra entrou para o léxico mundial em 2016 e está este ano 2017 em alta, frequentando as mais diversas bocas e páginas do mundo político e jornalístico. A “pós-verdade” é “um elegante étimo composto que pode parecer fruto da mais refinada filosofia contemporânea, mas não vai muito além de “tucanar” a mentira, naquele antigo e consagrado sentido de falar difícil, com sotaque tecnocrático, o que pode ser dito de forma simples e direta”. (Oxford Dictionary)
A “pós-verdade” despontou para a fama graças ao Dicionário Oxford, editado pela universidade britânica, que anualmente elege uma palavra de maior destaque na língua inglesa. Oxford definiu a acepção e mostrou a evolução do termo, observando que ele não foi cunhado neste annus horribilis da história humana, mas seu uso cresceu 2.000% nele. O Google registra mais de 20,2 milhões de citações em inglês, 11 milhões em espanhol e 9 milhões em português, uma ideia de seu sucesso.
Na definição britânica, “pós-verdade” é um adjetivo “que se relaciona ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”.
Não seria então, exatamente, o culto à mentira, mas a indiferença com a verdade dos fatos. Eles podem ou não existir, e ocorrer ou não da forma divulgada, que tanto faz para os indivíduos. Não afetam os seus julgamentos e preferências consolidados. A mídia golpista faz gato e sapato dela.
O termo, diz a Oxford, foi empregado pela primeira vez em 1992 pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich, em um ensaio para a revista The Nation. Em 2004, o escritor norte-americano Ralph Keyes colocou-o no título de seu livro The Post-Truth Era: Dishonesty and Deception in Contemporary Life. Mas quem mais contribuiu para a sua popularização mundial foi a revista The Economist, desde quando publicou, em setembro passado, o artigo “Arte da mentira”. (https://www.cartacapital.com.br/revista/933/a-era-da-pos-verdade. Acesso em 26/05/2017)
No texto de The Economist, o mundo teria entrado em uma era política de pós-verdade, especialmente depois que os britânicos ignoraram os alertas sobre o “Brexit”.
No Brasil, a “pós-verdade” está na mídia golpista, em que cada notícia “é um lance no jogo, cada escândalo é um movimento tático. Na pós-verdade, analisar a atual conjuntura do país não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte) ditado pelo grande capital, a fim de obviamente poder e ter poder para reagir também de maneira estratégica. Sua intenção é, por conseguinte, tornar as leis e a administração do país, no caso do Brasil, totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros. Capital Federal às avessas.








