A fabricante alemã Krone, uma das maiores produtoras de máquinas agrícolas da Europa, anunciou a suspensão temporária das exportações para os Estados Unidos devido às novas tarifas sobre produtos derivados de aço impostas pelo governo americano.
A medida, que entrou em vigor em 18 de agosto, afeta mais de 400 itens, incluindo equipamentos agrícolas, turbinas eólicas, eletrodomésticos e até produtos domésticos como secadores de cabelo e grelhas.
As novas regras exigem que exportadores detalhem a origem, o peso e o valor de todo o aço presente nos produtos — inclusive de componentes como porcas e parafusos — antes do embarque.
Segundo o presidente da empresa, Bernard Krone, o impacto foi imediato.
“A lista foi um grande choque. Ninguém sabia ao certo o que fazer, e os critérios variavam conforme o tipo e a origem do aço”, disse ele.
A Krone, que emprega cerca de 10 mil pessoas na Alemanha, tem os Estados Unidos como seu segundo maior mercado, com exportações anuais estimadas em US$ 130 milhões.
Com as novas exigências, a companhia afirma ser “inviável” manter o fluxo de exportações até que haja clareza sobre a aplicação das tarifas.
Tarifas ocultas e impacto no comércio europeu
As tarifas, criadas em consulta com fabricantes americanos, determinam sobretaxas que variam conforme a composição metálica dos produtos.
Além da alíquota geral de 15% acordada entre a União Europeia e os EUA, a nova lista inclui 407 produtos adicionais sujeitos a regras específicas.
Segundo analistas, o mecanismo permite revisões periódicas, o que aumenta a imprevisibilidade para as empresas europeias.
“É uma barreira burocrática praticamente impossível de cumprir”, afirmou Oliver Richtberg, diretor de comércio exterior da federação alemã de engenharia VDMA, uma das maiores entidades industriais da Europa.
“O acordo UE-EUA fala em estabilidade, mas a realidade é de obstáculos e paralisações”, completou.
Burocracia crescente e risco de penalidades
De acordo com a empresa americana de logística Flexport, qualquer erro ou omissão na documentação pode gerar tarifas adicionais de até 200%, além da retenção das mercadorias.
O alerta reforça o temor de que o novo sistema funcione como uma barreira comercial disfarçada, com alto custo operacional para exportadores.
As críticas se estendem a outros setores, como o de equipamentos de construção, eletrodomésticos e componentes ferroviários, todos afetados pela ampliação das exigências.
Para Richtberg, o cenário mostra que “o comércio transatlântico está se tornando cada vez mais vulnerável a decisões unilaterais e imprevisíveis”.
Enquanto a Krone e outras empresas aguardam orientações oficiais da União Europeia, parte da indústria suspendeu embarques preventivamente para evitar prejuízos.
As entidades do setor pedem negociações diplomáticas urgentes para esclarecer os critérios e reduzir o impacto econômico sobre as exportações europeias.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








