O governo brasileiro voltou a manifestar oposição à possibilidade de os Estados Unidos aplicarem novas tarifas sobre produtos nacionais.
A posição foi reforçada nesta terça-feira (14), durante uma reunião entre representantes dos dois países, realizada em meio às negociações para tentar evitar a adoção de sobretaxas pela administração norte-americana.
O encontro contou com a participação do representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e marcou mais uma rodada de conversas entre Brasília e Washington desde maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram estabelecer um grupo de trabalho para discutir questões comerciais.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil argumentou que as possíveis medidas anunciadas pelos Estados Unidos não possuem fundamentos técnicos suficientes. O governo brasileiro defendeu que a solução para os impasses deve ocorrer por meio do diálogo e da negociação bilateral.
Entre as medidas avaliadas por Washington está uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma possível sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação norte-americana sobre supostas práticas de trabalho forçado, que também envolve outras dezenas de países.
O governo brasileiro afirma que a criação de novas barreiras comerciais pode prejudicar a relação econômica entre os dois países e não contribui para um ambiente de cooperação.
Investigação comercial dos EUA
As possíveis tarifas fazem parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseada na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Entre os pontos analisados pelos Estados Unidos estão o funcionamento do mercado digital brasileiro, o sistema de pagamentos instantâneos Pix, regras de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas ambientais relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.
O governo brasileiro contesta os argumentos apresentados e afirma que as práticas questionadas seguem as normas nacionais e não justificam a adoção de medidas restritivas ao comércio.
Impactos para exportações brasileiras
A possível aplicação das tarifas preocupa setores produtivos brasileiros. Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4,2 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos podem ser afetados caso as medidas sejam confirmadas.
Os itens envolvidos representam aproximadamente US$ 15 bilhões em vendas ao mercado norte-americano e incluem produtos industriais, agrícolas e matérias-primas, como ferro-gusa, madeira e álcool etílico.
A decisão dos Estados Unidos sobre a adoção das sobretaxas está prevista para esta quarta-feira (15). O anúncio deverá indicar quais produtos poderão ser atingidos e quais medidas comerciais serão implementadas.
Enquanto aguarda a definição de Washington, o governo brasileiro afirma que continuará buscando uma saída negociada, mantendo o diálogo diplomático e avaliando possíveis respostas caso as tarifas sejam efetivamente aplicadas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








