A abertura de comportas da Lagoa Feia em pleno período de estiagem está aprofundando uma grave crise ambiental na Baixada Campista, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. O manejo considerado irregular das águas tem provocado o esvaziamento acelerado de canais e reservatórios, agravando a seca, causando a morte de gado e comprometendo a irrigação de lavouras que sustentam a economia rural da região.
Imagens exibidas no programa Direto da Redação mostram canais praticamente secos, áreas de pastagem sem qualquer umidade e propriedades rurais sem acesso à água. Produtores relatam prejuízos crescentes e afirmam que a situação se tornou insustentável para quem depende da pecuária e da agricultura familiar.
Segundo relatos de moradores e lideranças locais, a liberação de água da Lagoa Feia neste período crítico desconsidera a escassez hídrica enfrentada pela região e rompe o equilíbrio ambiental necessário para a manutenção dos ecossistemas e das atividades produtivas.
Diante do agravamento da crise, o produtor rural e liderança da Baixada Campista, José Armando Barreto, fez um apelo público às autoridades e anunciou a convocação de uma manifestação. De acordo com ele, a mobilização tem como objetivo chamar a atenção do poder público para os impactos sociais, econômicos e ambientais causados pelo atual manejo das comportas.
“Estamos vivendo uma estiagem severa e, mesmo assim, estão abrindo as comportas da Lagoa Feia; isso está matando o gado, destruindo a produção agrícola e levando o homem do campo ao limite”, destaca Barreto.
José Armando Barreto afirma que a população rural está sendo penalizada por decisões que não levam em conta a realidade da estiagem. Segundo ele, a manifestação pretende reunir produtores, trabalhadores do campo e moradores afetados para exigir transparência na gestão dos recursos hídricos, suspensão da abertura das comportas enquanto durar a seca e a adoção de medidas emergenciais para evitar mais perdas.
A crise hídrica também levanta questionamentos sobre a responsabilidade dos órgãos gestores e a ausência de um plano eficaz de controle e fiscalização do uso da água. Especialistas alertam que o manejo inadequado pode configurar crime ambiental, uma vez que compromete a fauna, a flora, a produção de alimentos e a subsistência de centenas de famílias.
Enquanto isso, produtores seguem contabilizando prejuízos e cobrando ações imediatas. A expectativa é de que a mobilização anunciada pressione autoridades municipais, estaduais e federais a reverem a condução da política de gestão da Lagoa Feia e dos canais que abastecem a Baixada Campista.







