Macaé RJ – Na última terça−feira (11), a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu em flagrante o influenciador digital Edu Borges, de 30 anos, no bairro Imbetiba, em Macaé (RJ), no Norte Fluminense. Ele é acusado de cometer chantagem, após criar uma página no Instagram para atacar o prefeito Welberth Rezende (Cidadania) e exigir R$ interromper as críticas.
De acordo com o delegado Pedro Emílio Braga, titular da 123ª Delegacia de Macaé, o plano foi descoberto após denúncia do gabinete do prefeito. Borges entrou em contato com um servidor público via rede social, pedindo que ele fosse intermediário nas negociações. O funcionário, no entanto, acionou a Secretaria de Segurança, que deu início à investigação.
“O servidor não teve participação no crime. Ele apenas comunicou as ameaças, e isso foi essencial para a prisão”, explicou Braga. A polícia coletou prints de conversas e montou uma operação para prender Borges durante um encontro combinado com o servidor. Natural de Magé, o influenciador estava há poucos meses em Macaé.
Casimiro de Abreu: Esquema de pesquisa e áudios comprometedores
Já em Casimiro de Abreu (RJ), outro influenciador, Renan Rocha de Assis, conhecido como Renan Finnellon, foi preso um dia antes, na segunda-feira (10), por extorquir empresários e políticos.
Com mais de 12 mil seguidores no Instagram, onde se autointitulava o “próximo prefeito”, ele e seu comparsa Francirlei Cardoso dos Santos, o Lelei, cobravam valores para não divulgar conteúdos difamatórios.
A prisão de Lelei em 25 de fevereiro, enquanto recebia R$ 3 mil de uma vítima em uma lanchonete, deu início ao desmonte do esquema. Em seu celular, a polícia encontrou conversas no WhatsApp, áudios e fotos que ligavam Finnellon aos crimes.
As investigações revelaram que a dupla pesquisava dados de alvos em processos judiciais, conselhos profissionais e páginas de fofoca para criar material de chantagem.
“Enquanto isso, vou atentando os caras”, disse Finnellon em um áudio obtido pela polícia. Em outro trecho, Lelei pede para “dar uma segurada” nas postagens após acordo de pagamento. Ambos estão presos na Casa de Custódia de Campos dos Goytacazes.
A Influência do STF e a Nova Era da Informação
A figura do social influencer como fonte de notícias ganhou força após o Supremo Tribunal Federal (STF) abolir, em 2009, a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.
A decisão democratizou a produção de conteúdo, mas também abriu espaço para que influenciadores, sem formação técnica ou compromisso com padrões éticos da imprensa, passassem a ser vistos pelo público como fontes legítimas de informação.
Especialistas apontam que, embora as redes sociais tenham ampliado o acesso à pluralidade de vozes, muitos consumidores passaram a tratar posts de influenciadores como notícias “aprovadas” — sem exigir apuração rigorosa, checagem de fontes ou imparcialidade, pilares do jornalismo tradicional.
Esse cenário facilitou a ascensão de figuras como Borges e Finnellon, que usaram seu alcance digital não para informar, mas para chantagear.
Alerta das autoridades
Os delegados destacaram a importância de denunciar e guardar provas em casos de extorsão. “Salvem conversas, prints e áudios. Isso é crucial para as investigações”, reforçou Braga. Já o delegado Filipi Poeys, da 121ª DP de Casimiro de Abreu, afirmou que as investigações continuam: “Há outras vítimas, e estamos apurando todos os envolvidos”.
O fenômeno dos crimes digitais
Os casos refletem um cenário preocupante: o uso de influência digital para fins criminosos. Com redes sociais como armas, acusados lucram com a exposição indevida de figuras públicas, aproveitando-se do medo de danos à reputação. Enquanto plataformas como o Instagram facilitam o alcance, autoridades reforçam que a melhor resposta é a denúncia imediata.
A combinação entre o vácuo regulatório sobre conteúdos digitais e a ausência de critérios profissionais na divulgação de informações cria um terreno fértil para golpes.
“A falta de formação específica não impede ninguém de opinar, mas quando há intenção criminosa, o risco é imenso”, avalia o professor e mestre em filosofia, João Vicente Alvarenga, que lecionou no Curso de Comunicação Social da Uniflu/Fafic.







