Jeane Gomes Rangel Caldeira, de 35 anos, estava grávida de pouco mais de oito meses. Procurou o Hospital Manoel Carola, em São Francisco de Itabapoana (RJ), Norte Fluminense, sentindo dores e com a barriga dura.
Ao ser atendida na unidade na quinta-feira (15), recebeu a receita de uma injeção de buscopan e foi orientada a repousar em casa. Como as dores não cessavam, retornou à unidade e ficou aguardando orientação médica até a manhã de sexta-feira (16).
Na troca de plantão, foi atendida pela profissional com a qual fazia acompanhamento no pré-natal. A médica suspeitou que o coração do bebê estava paralisado e imediatamente recomendou a remoção da paciente para Campos.
No Hospital dos Plantadores de Cana, em Campos, onde passou por um exame detalhado, com ultrassom, veio o diagnóstico na manhã de domingo (28): o bebê estava morto.
A suspeita é de que mãe ficou com a criança morta no útero durante três dias. No atestado de óbito consta morte do bebê por falta de oxigenação fetal (anoxia intra útero), que seria decorrente de um sífilis congênita.
Depois de ser atestado o óbito, a criança (um menino) foi registrada com o nome de Lázaro para ser sepultada. A mãe recebeu alta no Hospital dos Plantadores de Cana nesta segunda-feira (19).
O drama de Jeane expõe a precariedade da saúde no município que detém um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado do Rio de Janeiro.
O único hospital da cidade, o Manoel Carola, não tem aparelho de ultrassom funcionando. Os casos são encaminhados para Campos e nesse percurso, em função da demora, entre o atendimento e deslocamento, os pacientes morrem.
“No hospital não tinha equipamento de ultrassom funcionando, apesar da Prefeitura divulgar que tem. Ela ficou três dias com criança morta na barriga. Se tivesse o aparelho, o desfecho dessa situação poderia ser outro”, observa Priscila Lima dos Santos, ex-cunhada da paciente e que ajudou a socorrê-la.
Jeane mora na comunidade Tipity, na zona rural. A exemplo da maior parte das comunidades rurais de São Francisco, é completamente desassistida em termos de atendimento na área de saúde. A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura via telefone, mas não obteve retorno.
O caso é tema de uma reportagem da agência Fonte Exclusiva, que vai ser exibida nos próximos dias na plataforma do Portal VIU!, no Youtube.








