Perto de completar 100 dias, o governo do prefeito Carlos Augusto Balthazar (PL), Rio das Ostras (RJ), enfrenta uma crise estrutural na educação, setor que concentra R$ 312 milhões do orçamento municipal de 2025.
A falta de profissionais de limpeza terceirizados – em greve há semanas por salários atrasados e ausência de depósitos de FGTS e contribuições previdenciárias – levou 21 escolas a reduzirem o horário de funcionamento.
Enquanto isso, alunos enfrentam salas superaquecidas sem climatização, agravando a crise no ensino público.
Greve expõe dívida de R$ 40 milhões e “contrato nefasto”
A empresa Terrapleno, responsável pela terceirização dos trabalhadores, alega que a Prefeitura lhe deve R$ 40 milhões – valor equivalente a 12,82% do orçamento da educação.
Em entrevista à Intertv, um representante da empresa afirmou que a dívida é herdada de gestões anteriores, sem citar nomes.
Já o Procurador-Geral do Município, Renato Vasconcellos, classificou o contrato emergencial, gerado no governo Marcelino Borba e prorrogado sem licitação, como “nefasto”, ainda que a atual gestão tenha mantido o vínculo por quase 100 dias.
Protestos e denúncias nas redes sociais
Trabalhadores protestaram na Câmara de Vereadores nesta segunda-feira (17), enquanto o educador Luciano Barboza viralizou nas redes ao denunciar as condições das escolas:
“Crianças não aprendem em salas superaquecidas, e o prefeito sequer conversou com o Sindicato da Educação”.
Barboza criticou a repetição de “figuras velhas” na administração e a falta de diálogo para resolver questões como o calendário escolar atrasado e a ausência de plano de cargos.
Dívidas trabalhistas e silêncio sobre responsabilidades
A gestão Balthazar anunciou que arcará com salários atrasados e contribuições previdenciárias dos terceirizados, mas não detalhou como evitará sanções legais por assumir obrigações de uma empresa privada.
Na Câmara, um vereador da Comissão de Educação revelou que soube da dívida da Terrapleno “em um café com um sócio da empresa” – episódio que levantou suspeitas sobre transparência.
Herança maldita ou gestão fragilizada?
Embora o governo atribua a crise a “governos passados”, postagens nas redes sociais destacam a lentidão em resolver problemas urgentes. Além da educação, trabalhadores terceirizados da saúde também relatam demissões sem pagamentos.
Para críticos, os 100 dias de Balthazar reforçam um ciclo de más práticas, enquanto pais e alunos cobram soluções imediatas para o retorno às aulas em condições dignas.







