Carapebus, nesta pequena cidade do Norte Fluminense com pouco mais de 16 mil habitantes, a população ainda vive entre tragédias naturais e tsunamis de desperdício de dinheiro público.
Um mês depois de assistir uma inundação que destruiu parte da infraestrutura local, provocando grandes prejuízos para os seus moradores, a cidade agora assiste aos gastos desenfreados com shows e até (pasme!) com compra de gramas sintéticas, conforme destaca reportagem do RJ Interior (disponível no Youtube) e também transmitido na D+ News TV.
De acordo com a publicação de um Extrato de Ata de Registro de Preços publicado no Diário Oficial, a secretaria de Obras está contratando a empresa Kromac Comércio e Serviços Ltda para fornecer grama sintética ao município, a um custo de R$ 630 mil. O contrato é por um prazo de 12 meses e o gerenciador da ata é o secretário de Obras, Jackson Fiúza.
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Enquanto está comprando grama, a Prefeitura ainda não pagou indenização aos cooperativos que trabalharam fazendo serviços gerais em escolas. São cerca de 500 trabalhadores cooperativados que foram demitidos pelo atual prefeito Bernard Tavares. Todos também saíram com três meses de salários atrasados.
Se falta dinheiro para pagar o pessoal da faxina, tem fartura para gastos supérfluos. O governo também está gastando mais de R$ 500 mil com shows de verão e outros R$ 400 mil com uma empresa para montar e desmontar a estrutura dos espetáculos. Tudo isso com o município ainda sob a vigência de um decreto de emergência em função das cheias.
Seguindo a rota do petrorrentismo, estamos diante de uma cidade com dinheiro farto e problemas sociais crônicos. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 36,6% da população local vive com uma renda mensal de apenas meio salário mínimo.
A pobreza dos moradores, no entanto, contrasta este volume de dinheiro que entra no caixa. Em 2022 foram cerca de R$ 120 milhões, com 93% desta receita oriunda dos royalties do petróleo. Se esses royalties acabarem, a população não sentirá a menor falta, porque é um dinheiro que não circula na cidade. Tem como destino a cobertura de gastos com empresas contempladas nesses contratos generosos.
A classe política nos arredores costuma dizer que o prefeito de Carapebus é uma daquelas “diarreias democráticas”. Ele foi agraciado com uma eleição extemporânea. Chegou ao posto com a anulação do pleito que reelegeu a ex-prefeita Cristiane Cordeiro, para quem perdeu duas disputas. Ancorou-se também na onda “cidadão de bem” do bolsonarismo, ex-presidente que cultuava. Atualmente tenta atravessar o rubicão se aproximando do petismo regional, mas ainda que tente se distanciar dos amigos nos “tempos de trevas”, por enquanto sobrevive como um remanescente perdulário.








