Com tetos desabando, infiltrações e condições inadequadas para atendimento aos pacientes, o Hospital Geral de Guarus (HGG), na cidade de Campos (RJ), Norte Fluminense, será fechado para reforma.
Neste período, segundo a secretaria Municipal de Saúde, o atendimento tanto de internação quanto de urgência, será distribuído nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), postos de Urgência, Hospital Ferreira Machado (nos casos de emergência) e na rede de hospitais contratualizados.
São quatros os hospitais contratualizados: Santa Casa de Misericórdia, Hospital dos Plantadores de Cana, Hospital Álvaro Alvim e Beneficência Portuguesa.
A Prefeitura de Campos repassa cerca de R$ 40 milhões anualmente para os quatro hospitais contratualizados, à titulo de contrapartida ao atendimento à população e complementação às verbas do SUS.
PRÉDIO DO HGG
A situação crítica das instalações do HGG está descrita em relatório do Conselho Regional de Medicina (CRM). Uma cópia do documento foi obtida pela reportagem da agência de monitoramento Fonte Exclusiva.
“O centro cirúrgico possui goteiras em diversos ambientes, com baldes para coleta dessa água até em cima da mesa de enfermagem. Havia uma grande poça no corredor por onde é feito o transporte dos pacientes”, destaca um trecho do relatório.
O documento foi elaborado em novembro do ano passado, após uma inspeção realizada pelo órgão na unidade municipal de saúde.
Um link para leitura do documento na íntegra, está disponível no final da reportagem.
TETO DESABANDO
O HGG foi inaugurado há 11 anos. A unidade mantém serviços de atendimento de urgência e internação, mas a estrutura física nos últimos anos se deteriorou.
Condições do prédio do Hospital Geral de Guarus (HGG), em Campos (RJ). Situação precária da unidade foi descrita em relatório do CRM no ano passado. Prefeitura fechou o hospital para reforma nesta sexta-feira (12). pic.twitter.com/8OagwT4f0u
— Roberto Barbosa (@rgbarbosa) March 12, 2021
Em períodos de chuva é comum o teto desabar, ameaçando pacientes que são mantidos em macas nos corredores em decorrência da superlotação de leitos.
Pacientes e familiares chegam a filmar a situação e divulgar nas redes sociais.
Fora isso, a superlotação é frequente. Por ser uma cidade pólo na área de saúde, o sistema público de Campos tem sua demanda turbinada por pacientes transferidos de cidades próximas.
CARÊNCIA DE LEITOS
O município terá que suspender o atendimento no HGG justamente no momento em que a cidade enfrenta uma 3ª onda da pandemia de Covid-19, quando há carência de leitos de UTIs. E não será uma reforma rápida.
De acordo com fontes do governo ouvidas por Fonte Exclusiva, será necessário praticamente reconstruir uma nova estrutura hospitalar. A tendência é que esta reconstrução se dê por módulos. Ou seja, a Prefeitura derrubará uma parte da estrutura física para reconstruir em seguida.
“Não será um fechamento do HGG. Será uma suspensão do atendimento até que se reformule o hospital na sua totalidade. Enquanto isso, vamos criar uma rede de emergência em Guarus, um anel de emergência”, destacou o subsecretário de Saúde, Paulo Hirano, em entrevista a uma TV local.
“Esse anel de emergência vai englobar várias unidades com assistência 24 horas. Vamos fazer uma unidade específica para pediatria, que será no PU de Guarus, fazendo uma conexão com os hospitais”, disse.
Hirano explicou que o Hospital dos Plantadores de Cana dará o suporte no atendimento da pediatria. Já os demais casos de internações e cirurgias serão encaminhados para o Ferreira Machado e a rede contratualizada.
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