Sete novas áreas de exploração de petróleo e gás no pré-sal foram negociadas nesta quarta-feira (7), em uma rodada que entrou para a história da Oferta Permanente de Partilha pelo número de blocos contratados.
Promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o leilão garantiu R$ 530,4 milhões em bônus de assinatura para a União.
Ao todo, 13 blocos foram oferecidos no 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção. Sete receberam propostas e seis ficaram sem interessados.
O resultado superou o ciclo realizado em 2025, quando cinco áreas haviam sido arrematadas.
Petrobras, Prio e Equinor se destacaram
As maiores vencedoras da rodada foram Petrobras, Prio e Equinor.
Petrobras e Prio conquistaram duas áreas cada.
A norueguesa Equinor também ficou com dois blocos, sendo um deles em parceria com a portuguesa Galp.
O bloco Jade foi arrematado por um consórcio formado pelas chinesas CNOOC e Sinopec.
As áreas contratadas estão localizadas nas bacias de Campos e Santos.
Investimentos mínimos passam de R$ 778 milhões
Além do pagamento dos bônus de assinatura, as companhias assumiram compromissos de investimentos mínimos na fase exploratória.
O total previsto chega a aproximadamente R$ 778,4 milhões.
Esse dinheiro deverá ser destinado aos trabalhos iniciais de exploração, incluindo estudos geológicos, sísmicos e outras atividades previstas nos contratos.
Partilha considera parcela destinada à União
No regime de partilha, o vencedor de cada bloco não é escolhido apenas pelo valor pago inicialmente.
O principal critério é a parcela do chamado óleo excedente que a empresa se compromete a entregar à União.
Esse volume corresponde à produção que permanece depois da recuperação dos custos relacionados ao projeto.
Mesmo sem concorrência direta nos sete blocos negociados, as propostas apresentadas ficaram acima dos percentuais mínimos estabelecidos no edital.
Ágio médio superou 100%
O ágio médio das ofertas chegou a 108,38%.
Na prática, isso significa que as empresas apresentaram percentuais de óleo excedente superiores aos valores mínimos definidos para participação na disputa.
Os ágios individuais variaram significativamente entre os diferentes blocos.
Em algumas áreas, a proposta ficou pouco acima do mínimo. Em outras, a diferença chegou a várias vezes o percentual originalmente exigido.
Prio ficou com Magnetita e Hematita
Na Bacia de Campos, a Prio venceu os blocos Magnetita e Hematita.
Em Magnetita, a companhia ofereceu 32,80% do óleo excedente à União.
Já em Hematita, a proposta ficou em 7,18%.
A Petrobras arrematou Azurita, também na Bacia de Campos, com oferta equivalente a 30% do óleo excedente.
Bacia de Santos atraiu empresas estrangeiras
Na Bacia de Santos, o bloco Jade ficou com CNOOC e Sinopec.
A CNOOC terá participação de 70% no consórcio, enquanto a Sinopec ficará com os 30% restantes.
A proposta destinou 18,20% do óleo excedente à União.
A Petrobras também venceu Cruzeiro do Sul, enquanto a Equinor ficou sozinha com Rubi.
Em Rodocrosita, a norueguesa formou parceria com a Galp, ficando com 70% da participação e deixando os outros 30% para a companhia portuguesa.
Seis blocos ficaram sem propostas
Turmalina, Larimar, Aragonita, Opala, Granada e Cerussita não receberam ofertas.
Essas áreas poderão voltar a ser incluídas em futuros ciclos de licitação, de acordo com a estratégia adotada pela ANP.
A ausência de interessados em determinados blocos pode estar relacionada a fatores técnicos, econômicos ou à avaliação de risco de cada projeto.
Contratos serão assinados em 2027
As empresas vencedoras ainda terão de cumprir uma série de etapas antes do início das atividades.
Entre elas estão a entrega da documentação de qualificação, o pagamento dos bônus e a homologação do resultado.
A assinatura dos contratos de partilha está prevista para ocorrer até 26 de fevereiro de 2027.
Pré-sal segue no centro da produção nacional
O pré-sal continua sendo a principal região produtora de petróleo e gás do Brasil.
A área concentra a maior parte da produção nacional e segue atraindo investimentos de empresas brasileiras e estrangeiras.
A estratégia do governo é continuar oferecendo áreas exploratórias, especialmente próximas a regiões onde já existem descobertas e infraestrutura instalada.
Leilão também provoca críticas ambientais
Enquanto representantes da indústria defendem novas rodadas como instrumentos para atrair investimentos, ampliar empregos e reforçar a segurança energética, organizações ambientais questionam a expansão da exploração de petróleo.
Entidades apontam possíveis impactos sobre ecossistemas, comunidades tradicionais e áreas utilizadas pela pesca artesanal.
A rodada desta quarta-feira foi acompanhada por protestos em frente à sede da ANP, no Rio.
Mais áreas devem ser oferecidas
O governo federal já sinalizou a intenção de ampliar a oferta de blocos de petróleo e gás nos próximos meses.
Entre as regiões citadas está a Bacia de Pelotas, no litoral Sul, que pode receber dezenas de novas áreas.
O debate sobre expansão da exploração também inclui o uso do fraturamento hidráulico, conhecido como fracking.
A técnica permanece cercada por discussões ambientais e jurídicas e utiliza fluidos sob alta pressão para liberar petróleo ou gás presos em formações rochosas.
Com o resultado desta quarta-feira, a exploração do pré-sal amplia novamente sua área contratada e mantém as bacias de Campos e Santos no centro dos investimentos do setor de óleo e gás brasileiro.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








