A queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre deste ano aponta que o Brasil pode caminhar para uma recessão econômica, mas o tema divide opiniões de especialistas.
O cenário é agravado pelo alto índice de desemprego, precarização do mercado de trabalho e enfraquecimento do poder de compra da população.
Entrevistada pela agência Sputnik News, a economista Juliana Inhasz diz que a impressão mais clara é a de que o país vivencia uma estagnação, “com a economia brasileira andando de lado e sem força para avançar rumo a um crescimento forte e sustentável”.
“O cenário atual já aponta para uma possível deterioração das condições socioeconômicas, principalmente pelos índices de desemprego e redução da renda, o aumento da informalidade, que é um dos elementos que sai nessa última pesquisa [do IBGE, divulgada na quinta-feira, 30], então já temos elementos para apontar uma fragilidade da nossa economia”, disse.
A docente concorda que os indicadores gerais são “muito preocupantes” e acredita que o caminho para uma retomada do crescimento da economia passa pelas reformas – mais especificamente a da Previdência e a Tributária –, que avançam a passos lentos em Brasília.
“A gente hoje vê um quadro macroeconômico que não é o quadro que a gente gostaria de enxergar, porque estamos vendo as nossas expectativas econômicas se deteriorarem. Nós tínhamos a esperança que o novo governo conseguiria rapidamente criar um novo dinamismo econômico, mas não foi isso que nós vimos, não tem acontecido”, ponderou.
A economista, no entanto, é cautelosa ao falar em risco de recessão econômica:
“Dá para entender o motivo de pessoas fazerem previsões sobre um novo cenário de recessão. Eu, no entanto, acredito que vamos continuar andando bem de lado, já vimos que a economia brasileira não consegue dar grandes avanços, mas acho que ainda é um pouco cedo que a gente consiga dizer que logo estaremos em recessão”, explicou.
FOME E DESEMPREGO
Com mestrado em Planejamento Urbano e de Cidades pela Universidade Cândido Mendes, o economista José Alves Neto destaca a importância de incluir questões como desemprego e o avanço da fome na pauta econômica. No vídeo abaixo, ele participa do Balanço da Semana, transmitido às sextas-feiras pelo Canal VIU!:
Fonte: Canal VIU! – Youtube
“Na agenda econômica não se discute o retorno do Brasil ao mapa da fome. Só falam em reforma disso e reforma daquilo. A questão do desemprego e da fome fugiram da agenda nacional. Só se fala em superávit. O Estado no curto prazo tinha que agir. Vamos fazer a reforma A e reforma B, mas quem tem fome não pode esperar. A fome é hoje, não é amanhã. Se persistir este alto índice de desemprego, não sei se o governo se sustenta até o final do ano”, disse.
Doutorando em Políticas Públicas pela Universidade Federal Fluminense (UFRJ), o economista e colunista do Portal VIU!, Ranulfo Vidigal, também avalia o índice de desemprego como um dos fatores alarmantes.
“As pessoas estão voltando ao emprego na informalidade. O emprego informal volta a crescer, enquanto os salários pagos no segmento formal estão caindo”, destaca.








