Gente, quanta correria e coisas “penduradas”, por conta de um adaptador. Ontem (5), corri Manhatan atrás de um adaptador de tomada para carregar meu celular. As tomadas aqui são incríveis. Fui a várias lojas e nada.
Desesperadamente sem noção, já na volta pra casa, resolvi entrar numa loja dessas que vendem tudo, sabe? Expliquei para um senhor grego, sério, que precisava de um “adapter” para que eu conseguisse “plug in” meu celular na tomada de modo a “charge it”- carregá-lo. Qual não foi a minha felicidade quando vi que o senhor me entendeu e tirou debaixo do balcão um saco cheio de adaptadores que tinham a entrada que eu precisava!
Respirei fundo, paguei agradeci e fui pra casa. Consegui carregar o celular e fiquei calmo. Sim, porque tudo em uma mudança dessas é motivo para peti. Liguei pra meus pais e fiquei tranquilo. Fui para Fairfield e dei a primeira oficina. Transcorreu tudo bem e cheguei morto a casa, por volta das 20h30, muito frio.
Hoje o termômetro está marcando 5 graus e chove. Vou descer e pegar o metrô W, que me levará a Grand Station, onde tomarei o trem para Fairfield: 40 minutos e darei a segunda oficina. Volto no mesmo horário de ontem! Hoje sairemos para um vinho.
Aqui são 12h13, uma hora a menos! Lá eu começo às 14h30. Hoje falarei e darei um fragmento de texto para falar de Não Verás País Nenhum, de Ignácio Loyola Brandão.
Aliás, meu café hoje (ainda estamos arrumando coisas!) foi ótimo. Conversava com uma amiga alagoana, que veio dar uma ajuda, sobre a situação no Brasil, tomando café bem quente com pão de grãos e etc. Muita coisa, gentem!
Falamos de ciganos, quiromancia cigana,banhos místicos, tradição Iorubá, índios potiguar e do Brasil como um país híbrido que, sabemos por quê, está se partindo. Nessa conversa, ficou clara pra mim a calma do Nordeste em relação ao caos geral instalado no planalto das lamentações.
O Nordeste tem uma personalidade impagável. Estão salvos desses atropelos lato sensu aos quais estão submetidos a maioria dos brasileiros. Dá vergonha!!!! Minha amiga Valéria é advogada e tem carteira da OAB e tudo. Veio pra cá por opção e foi ótimo ter conversado com ela para saber que não estou nem um pouco errado.
Ela administra sua vida, aqui, assessorando pessoas com trabalhos do lar, desde limpeza, arrumação à faxina. Numa boa!!! Ganha bem, tem seu próprio apartamento e ainda sabe andar por Nova Iorque inteiro. Me deu o roteiro de todos os trens e metrôs de que preciso para andar daqui pra lá, ubers, que são limusines aqui e custam em torno de 40 dólares.
Estou caminhando e cantando e seguindo a canção dos novos baianos. Lembram deles? E pedindo a Olorum que tudo alegre-se, pois assim está melhor, por enquanto. E la nave va e vamos com lenço e com documentos fugindo da besta brasileira, da ignomínia, nos salvando da peste, do horror e da falsidade.
Aqui cabe dizer que em Zero, Loyola tem um texto muito potente que despotencializa essa festinha absurda que está acontecendo no Brasil:
ZERO (Global Editora) é um livro-símbolo do sufocamento causado pela ditadura militar no Brasil. Jornais obrigados a publicar receitas de cozinha no lugar de notícias censuradas. Mas o que foi vetado e guardado na gaveta do jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, que nos anos 60 trabalhava na redação do Última Hora, acabou transformado em um romance revolucionário.
Vídeo abaixo: palestra de Loyola sobre Zero, na Universidade Federal do Ceará, em 2014.
HOJE MINHA AULA SERÁ ZERO, UMA AULA ZERO CENSURA!!!! Acompanha este texto uma entrevista com Ignácio Loyola Brandão sobre a censura na Ditadura Militar pós-64. Meus aplausos aos corajosos!!!! Ah, “pinkpond”é a senha do meu wifi. Amei!!!!
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