O ator Bruno Gagliasso defendeu a produção de mais filmes brasileiros sobre o período da ditadura militar, que se estendeu de 1964 a 1985. A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa em Brasília, antes da estreia de Honestino, produção dirigida por Aurélio Michiles que combina elementos documentais e dramatização.
O filme chega aos cinemas de 18 cidades nesta quinta-feira (13) e apresenta a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, interpretado por Gagliasso.
Para o ator, o cinema ainda tem um papel importante na preservação da memória sobre o período e na apresentação de personagens históricos às novas gerações. Ele também afirmou considerar pequena a quantidade de produções nacionais dedicadas à ditadura e rejeitou a ideia de que o assunto já tenha sido abordado em excesso pelo cinema brasileiro.
Bruno Gagliasso interpreta líder estudantil
Honestino Guimarães era estudante de Geologia da Universidade de Brasília (UnB) e teve participação ativa no movimento estudantil. Defensor do ensino público e gratuito, ele chegou a ocupar a presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Perseguido pelos órgãos de repressão durante a ditadura, Honestino desapareceu aos 26 anos, em 1973. Seu nome está entre os de brasileiros considerados desaparecidos políticos durante o regime.
Ao conhecer a história do estudante, Gagliasso decidiu participar do projeto. O ator afirmou que a experiência também despertou nele o interesse em apresentar esse período histórico aos próprios filhos.
Durante a preparação para o personagem, o artista relatou ter se emocionado com comentários de familiares de Honestino sobre as semelhanças físicas entre os dois.
Para Gagliasso, a história do líder estudantil representa uma discussão que vai além de sua trajetória pessoal e envolve temas como direitos, igualdade e democracia.
Produção enfrentou dificuldade para encontrar imagens
A equipe de Honestino encontrou dificuldades para reunir registros visuais da atuação do estudante e do movimento estudantil durante a ditadura.
Segundo o diretor Aurélio Michiles, estudantes e militantes evitavam fotografias e filmagens durante manifestações, reuniões e outras atividades políticas. A preocupação era impedir que as imagens fossem utilizadas pelos órgãos de repressão para identificar os participantes.
A ausência desses registros acabou reduzindo a quantidade de material disponível para reconstruir determinados momentos da vida de Honestino.
Para compor o filme, Michiles utilizou documentos e registros históricos que conseguiram ser preservados. Entre eles está um filme produzido durante a invasão da Universidade de Brasília, em 1968.
O material foi registrado pelo então estudante Hermano Penna, que posteriormente também se tornou cineasta. As imagens mostram parte da repressão contra estudantes e professores durante a intervenção na universidade.
Longa combina arquivos históricos e dramatização
Diante da quantidade limitada de imagens, a produção optou por utilizar uma estrutura híbrida. O filme combina registros documentais com cenas dramatizadas para reconstruir episódios da trajetória de Honestino Guimarães.
A participação de Gagliasso permite representar momentos para os quais não existem registros audiovisuais suficientes, aproximando a narrativa documental da linguagem cinematográfica de ficção.
O ator contou que não conhecia profundamente a história de Honestino antes de entrar no projeto. Para ele, essa falta de conhecimento demonstra a importância de ampliar o acesso a informações sobre personagens que participaram de acontecimentos relevantes da história brasileira.
Produtor compara produção brasileira com outros países
O produtor Nilson Rodrigues também destacou a quantidade de filmes produzidos sobre as ditaduras militares na América do Sul.
Segundo ele, o Brasil possui um número relativamente menor de obras de ficção dedicadas ao período quando comparado à Argentina, que teria produzido mais de uma centena de filmes relacionados ao tema.
A avaliação reforça a defesa apresentada por Gagliasso de que ainda existe espaço para novas produções que abordem a ditadura brasileira a partir de diferentes personagens e perspectivas.
Honestino estreia nos cinemas nesta quinta
A estreia de Honestino ocorre nesta quinta-feira (13), em 18 cidades brasileiras.
O longa utiliza documentos históricos, imagens de arquivo e dramatizações para apresentar a trajetória do líder estudantil, sua atuação na defesa da educação e sua perseguição durante a ditadura militar.
A produção também busca discutir a importância da preservação da memória histórica e apresentar às novas gerações acontecimentos e personagens que fizeram parte de um dos períodos mais marcantes da história política brasileira.
*Da Agência Fonte Exclusiva








