Os professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), instituição de ensino superior fundada pelo educador Darcy Ribeiro, estão em estado de mobilização contra uma severa crise salarial que se arrasta por mais de uma década.
De acordo com o professor Marcos Pedlowski, dirigente da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf), a categoria acumula uma defasagem salarial que ultrapassa 50% nos últimos dez anos, conforme estudos técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
A principal pauta da luta é a urgente implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), que, apesar de ter sido formulado e enviado ao Governo do Estado do Rio de Janeiro em maio de 2021, permanece estagnado.
O plano atual da UENF é de 2006, e a demora na aprovação do novo tem gerado uma sobrecarga de trabalho e a perda da capacidade da universidade de atrair novos talentos.
Regime de Recuperação Fiscal
Em entrevista ao programa Direto da Redação nesta sexta-feira (14), o professor Pedlowski apontou dois grandes entraves para a aprovação do PCCV. O primeiro é o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), assinado pelo Governo do Estado com a União. Segundo o dirigente, o RRF impõe uma barreira a qualquer novidade salarial, penalizando diretamente os servidores.
O segundo ponto é a insensibilidade política do atual governo. Pedlowski criticou a postura do Governo Cláudio Castro e a dificuldade de diálogo com a comissão do RRF, que se opõe a qualquer benefício para os servidores.
Além disso, o professor lamentou a falta de acesso ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, que é natural da região e poderia ser uma figura central nas negociações.
“Nós temos tido uma dificuldade que é a pouca urgência dentro do Governo do Estado, do Governo Castro, e a barreira que a gente tem nas negociações com a chamada comissão do regime de recuperação fiscal,” afirmou Pedlowski.
Potência econômica e acadêmica em risco
Apesar da crise interna, a UENF se destaca como uma instituição de grande relevância para a economia regional. Com um orçamento anual de cerca de R$ 400 milhões, a universidade possui um orçamento maior do que o de muitos municípios, atuando como uma verdadeira potência econômica e acadêmica.
Pedlowski ressaltou que a UENF tem um impacto que se estende por 11 polos na região, contribuindo para a formação de recursos humanos, a produção de conhecimento aplicado, especialmente na agricultura, e sustentando uma cadeia econômica local.
No entanto, a defasagem salarial e a falta de concursos para repor vagas de professores que se aposentam ou falecem têm levado a uma sobrecarga de funções para o corpo docente, que conta com menos de 300 professores. A situação compromete a capacidade da UENF de manter sua excelência, que é reconhecida internacionalmente.
A mobilização dos professores, que já incluiu paralisações de 24 horas, busca pressionar o governo a agir antes do prazo eleitoral de março, quando a legislação impede reajustes salariais. A categoria espera que o diálogo seja estabelecido para garantir a valorização dos servidores e a continuidade da qualidade do ensino e da pesquisa na universidade.







