O governo de Donald Trump anunciou a suspensão de parte das tarifas recíprocas de 10% aplicadas desde abril a diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos sobre produtos agrícolas. A medida, formalizada por meio de uma ordem executiva assinada nesta sexta-feira, 14 de novembro, retira a cobrança para vários itens, incluindo alimentos amplamente exportados por países da América Latina, Ásia e Europa.
Entre os produtos isentos estão café, cortes de carne bovina, açaí, castanha-do-pará, tapioca, mandioca e frutas como banana, laranja e coco. Apesar da suspensão global, a decisão não altera a tarifa adicional de 40% imposta especificamente ao Brasil durante negociações anteriores, o que mantém as exportações brasileiras sob custo extra.
Segundo declarou ao portal G1 o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, o governo brasileiro ainda aguarda avanços nas conversas bilaterais que tratam do chamado “tarifaço” imposto aos produtos nacionais. A suspensão anunciada pelos EUA, portanto, não modifica o cenário atual para os exportadores brasileiros.
No texto da ordem executiva, Trump afirma que revisou o escopo dos produtos afetados após receber relatórios e recomendações de órgãos que monitoram o impacto das medidas tarifárias. O presidente norte-americano também citou o andamento das negociações internacionais e a demanda doméstica por determinados itens como fatores que influenciaram a decisão.
A mudança passa a valer a partir de 13 de novembro de 2025, conforme o documento oficial. Dias antes, Trump já havia mencionado em entrevista à Fox News a possibilidade de aliviar tarifas sobre o café, sem indicar os países beneficiados.
A Casa Branca enfrenta crescente pressão interna devido à inflação acumulada no país, especialmente sobre alimentos. A revisão das tarifas é vista como tentativa de conter o avanço dos preços e preservar o abastecimento de produtos essenciais.
No Brasil, a medida foi recebida com otimismo moderado. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, afirmou ao G1 que a decisão favorece produtores brasileiros e consumidores americanos, mas ressaltou a importância de novas negociações envolvendo também bens industrializados.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse à GloboNews que se reuniu com sua equipe para avaliar o anúncio e destacou que o diálogo com os EUA “voltou a avançar”. Entidades do setor também se manifestaram. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a redução de tarifas amplia a previsibilidade para o comércio internacional e reconhece a qualidade da carne brasileira.
Uma análise do centro de pesquisas Tax Foundation aponta que o Brasil é o quarto maior fornecedor de alimentos para os EUA, atrás da União Europeia, México e Canadá. No caso do café, o país é o principal exportador aos americanos, responsável por cerca de um terço das importações totais do produto. Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de café, mas praticamente não produzem a commodity.
Apesar da suspensão tarifária global trazer ganhos potenciais para setores brasileiros, a manutenção da tarifa de 40% impede um alívio imediato para os exportadores nacionais. O governo brasileiro espera que a revisão tarifária abra caminho para avanços concretos nas negociações específicas com Washington.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








