Em Campos dos Goytacazes, cidade mais violenta do Estado do Rio, falar ao celular é risco de vida;
Da redação
Foi por causa de um celular que o universitário Fernando Soares Araújo, de 21 anos, foi assassinado na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, na noite de terça-feira (29).
Aluno do curso de química na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), ele foi assaltado por adolescentes na Avenida 28 de Março, uma das mais movimentadas da cidade.
Os disparos foram efetuados após o universitário tentar retomar o aparelho das mãos de um dos assaltantes, um deles de 15 anos, que também foi baleado por um policial a paisana que passava pela avenida e tentou prestar socorro à vítima. Fernando foi atingido no tórax.
É triste, mas nesta cidade em que vereador vai à tribuna do legislativo e ameaça repreender críticos “na bala”, a vida vale muito pouco.
ONDE OS BANDIDOS ATUAM
Celular é o novo sonho de consumo dos assaltantes nesta cidade de 490 mil habitantes, apontada como a mais violenta no Estado do Rio.
Falar ao celular em via pública, mesmo durante o dia, é uma atividade de risco, principalmente na área central.
ESTUDANTE É ALVO FÁCIL
Nos arredores da Universidade Estadual do Norte Fluminense, vários alunos já foram vítimas de assaltos. A característica do assaltante é a mesma apontada por diferentes vítimas: ” um sujeito bem vestido, simulando estar falando ao celular quando se aproxima e sempre de carro da marca Golf”.
Esses assaltos estão se sistematizando de tal forma, que alguns alunos de outras cidades que fazem residência estão abandonando os cursos, como relatou recentemente universitária na página da Associação dos Docentes da Uenf, no Youtube.
Entre a comunidade universitária há um temor generalizado de que os assaltos ultrapassem os portões da instituição, já que em função da crise financeira, o contrato com a empresa de segurança foi suspenso.
“Assalto no campus da Universidade é algo que está muito próximo de acontecer”, alerta um professor da instituição que prefere não se identificar.
CLIENTELA DE APARELHOS ROUBADOS
Venda de celular roubado é um negócio lucrativo e com grande demanda. Para abastecer o mercado, é preciso buscar mercadoria até em outras cidades.
No dia 4 de agosto, uma quadrilha de Campos dos Goytacazes foi presa na cidade Além Paraíba, na Zona da Mata, em Minas Gerais. O grupo de nove pessoas, segundo a polícia, atuava roubando celulares em eventos públicos.
Numa única noite, a quadrilha roubou mais de 50 pessoas. Os integrantes são moradores do bairro Fundão, em Guarus. O grupo ficou dois dias presos e ao ganhar a liberdade, chegou a gravar um vídeo anunciando um churrasco de boas vindas na rua Nazário Pereira Gomes, na periferia da cidade.
Os celulares roubados em assaltos ou pelas quadrilhas são vendidos em classificados no Facebook ou em bancas de camelôs, onde servem, entre outras coisas, para retirada de peças. Este um mercado negro e o principal meio de receptação.
Os aparelhos novos são canibalizados, já que alguns camelôs concertam aparelhos e vendem peças de reposição a um custo mais barato do que as lojas convencionais.
*Agência VIU!








