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PEC da Segurança pode abrir caminho para novo ministério, mas enfrenta impasse no Senado

Reforma da segurança pública chega ao plenário com propostas de mudanças no sistema policial, no combate ao crime organizado e na responsabilização de adolescentes.

redacao Por redacao
03/11/2026 - 08:21
em Política
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Senado analisa PEC da Segurança Pública nesta terça (3). Entenda a disputa sobre maioridade penal, combate às facções e novo ministério.

📸Reprodução/Agência Senado

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O Senado Federal retoma nesta terça-feira (3) a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, uma das principais iniciativas do governo federal para reorganizar o enfrentamento ao crime organizado no Brasil. A votação, no entanto, chega cercada de divergências entre governistas e oposição sobre a redução da maioridade penal.

A proposta, identificada como PEC 18/2025, já passou pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Agora, precisa superar uma disputa política que provocou o adiamento de sua análise em outubro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), colocou a matéria novamente na pauta. A expectativa da base governista é conseguir votar o texto em dois turnos ainda nesta terça-feira, evitando novas alterações que obrigariam a proposta a retornar à Câmara.

Redução da maioridade penal divide governo e oposição

O principal ponto de conflito é uma emenda apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), com apoio de parlamentares da oposição.

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O texto propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e permitir a responsabilização criminal a partir dos 14 anos em casos de crimes hediondos.

A oposição argumenta que a mudança é necessária para enfrentar crimes graves cometidos por adolescentes e impedir que organizações criminosas explorem as diferenças entre as regras aplicáveis a adultos e menores de idade.

Do outro lado, o governo tenta impedir que a discussão seja incorporada à PEC da Segurança Pública. A avaliação de integrantes do Planalto é que o tema precisa de uma análise própria, sem comprometer a aprovação das medidas de integração das forças policiais.

A divergência também chegou ao PT. O senador Camilo Santana (PT-CE) apresentou uma alternativa que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos exclusivamente em crimes hediondos.

A proposta, entretanto, não conseguiu unir a bancada. Parte dos parlamentares defende a manutenção da maioridade penal aos 18 anos, enquanto outros admitem mudanças para determinados crimes de maior gravidade.

O que muda com a PEC da Segurança Pública?

A proposta pretende estabelecer uma atuação mais coordenada entre União, estados, Distrito Federal e municípios, especialmente no combate às facções criminosas, milícias e organizações que atuam em diferentes regiões do país.

Uma das principais mudanças é a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal. O sistema já existe em lei, mas a PEC busca consolidar constitucionalmente a cooperação entre os órgãos responsáveis pela segurança.

Na prática, a proposta prevê o compartilhamento de informações, operações conjuntas, integração de bancos de dados e maior articulação entre as forças policiais. O texto também amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal, permitindo sua atuação no policiamento de ferrovias e hidrovias federais.

Outra medida é a possibilidade de criação de polícias municipais, mediante regras nacionais de formação, fiscalização e estrutura.

A PEC ainda prevê tratamento penal mais rigoroso para integrantes e lideranças de facções, milícias e organizações paramilitares, com restrições a determinados benefícios, medidas de confisco de bens ligados ao crime e proteção a denunciantes e familiares. Os direitos das vítimas também ganham espaço na proposta, incluindo garantias de informação, assistência, proteção e acesso à Justiça.

Novo Ministério da Segurança Pública depende do avanço da proposta

A aprovação da PEC é considerada estratégica pelo Palácio do Planalto para viabilizar a criação de um Ministério da Segurança Pública.

A intenção do governo Lula é estabelecer uma estrutura federal dedicada ao setor, com maior capacidade de coordenação das políticas de enfrentamento ao crime organizado.

A nova pasta, porém, não será criada automaticamente com a aprovação da emenda constitucional. Sua implantação dependerá de medidas administrativas e legislativas posteriores.

Por isso, governistas trabalham para preservar o texto já aprovado pela Câmara. Qualquer alteração substancial feita pelo Senado exigiria uma nova análise dos deputados, prolongando a tramitação.

O impasse é especialmente sensível porque a proposta reúne mudanças na estrutura das forças de segurança, no sistema penitenciário e no financiamento das políticas públicas do setor.

Senado precisa de 49 votos para aprovar a PEC

Por alterar a Constituição Federal, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado.

Um calendário especial aprovado em outubro permite reduzir o intervalo regimental entre as votações, abrindo a possibilidade de conclusão da análise no mesmo dia.

A sessão está prevista para as 16h desta terça-feira. Antes disso, lideranças partidárias devem discutir os encaminhamentos e as emendas apresentadas. Caso seja aprovada sem mudanças em relação ao texto da Câmara, a proposta poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.

Se os senadores modificarem seu conteúdo, a matéria terá de retornar aos deputados para nova apreciação.

Debate sobre segurança deve continuar no Congresso

Mesmo que a PEC seja aprovada, a discussão sobre a maioridade penal continuará em aberto.

A Constituição estabelece atualmente a inimputabilidade penal dos menores de 18 anos. Adolescentes que cometem atos infracionais estão sujeitos às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, incluindo internação nas hipóteses legais.

A discussão sobre a redução dessa idade envolve posições distintas. Seus defensores argumentam que a mudança permitiria respostas penais mais rigorosas a crimes graves. Críticos questionam seus efeitos sobre a violência e defendem investimentos em prevenção, educação e no sistema socioeducativo.

A votação desta terça-feira deverá indicar se o Senado conseguirá separar as duas discussões ou se a disputa sobre a maioridade penal continuará interferindo no andamento da reforma da segurança pública.

Situação apurada na manhã de 3 de novembro de 2026, antes da sessão prevista no Senado. A votação ainda não havia sido concluída nas fontes consultadas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #CongressoNacional#CrimeOrganizado#DaviAlcolumbre#FacçõesCriminosas#GovernoLula#MaioridadePenal#NotíciasDoBrasil#PECdaSegurança#PolíticaBrasileira#SegurançaPública#SenadoFederalBrasília
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