O Partido Liberal (PL) reúne sua bancada de deputados federais nesta terça-feira (3), às 18h, em Brasília, para discutir se apoiará a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. O encontro ocorre em meio às articulações para a nova legislatura, que começa em fevereiro de 2027, e deve expor as divergências internas sobre os rumos da legenda no Congresso Nacional.
Com 121 deputados eleitos em outubro, o PL terá a maior bancada individual da Câmara. Apesar do crescimento, a direção partidária teme que a sigla perca influência na distribuição de cargos e no comando de comissões importantes caso permaneça fora do bloco político articulado por Motta.
O impasse coloca duas estratégias em confronto: negociar espaços com o atual presidente da Câmara ou apresentar uma candidatura própria, mantendo uma postura de oposição mais rígida ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Valdemar defende acordo, mas deputados resistem
Uma ala do PL, ligada ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, considera que apoiar Hugo Motta pode ser o caminho mais vantajoso para preservar a influência do partido na Câmara.
A avaliação é que o tamanho da bancada, por si só, não garante o controle das comissões mais disputadas. A formação de blocos parlamentares influencia diretamente a distribuição desses espaços, que têm papel importante na tramitação de projetos e na fiscalização do governo.
Por outro lado, deputados identificados com a oposição mais dura rejeitam a possibilidade de apoiar Motta, especialmente pela aproximação política do parlamentar com Lula durante a campanha eleitoral.
A divergência ganhou força na segunda-feira (2), quando o deputado Zé Trovão (PL-SC) anunciou que pretende apresentar uma candidatura avulsa à presidência da Câmara caso o partido não lance um nome próprio.
Até o momento, a iniciativa representa uma posição individual do parlamentar, sem o respaldo oficial da direção do PL.
Disputa pela CCJ está no centro das negociações
Um dos principais interesses do PL é a presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), considerada uma das mais influentes da Câmara.
O colegiado examina a constitucionalidade e a legalidade de propostas legislativas, além de desempenhar papel relevante na análise de matérias que passam pelo Congresso.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é apontado como um dos interessados em assumir a presidência da comissão na próxima legislatura.
A preocupação da direção partidária é que, sem integrar um bloco parlamentar forte, o PL tenha menos possibilidades de escolher as comissões consideradas estratégicas, mesmo sendo a maior bancada individual.
Antes de avançarem as conversas sobre um eventual apoio a Motta, os nomes de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), atual líder da bancada, e Altineu Côrtes (PL-RJ), vice-presidente da Câmara, chegaram a ser avaliados como possíveis candidatos do partido.
Hugo Motta já conta com apoio de 15 partidos
Enquanto o PL discute seu posicionamento, Hugo Motta amplia sua base de apoio para a eleição interna prevista para fevereiro de 2027.
O atual presidente da Câmara já recebeu o apoio de 15 partidos, incluindo PT, MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, formalizou apoio à recondução de Motta em 27 de outubro. A decisão foi anunciada pelo líder petista Pedro Uczai (SC), após reunião entre representantes da federação e o presidente da Câmara.
Entretanto, a possível entrada do PL no mesmo bloco provoca resistência entre integrantes do PT. Parlamentares petistas avaliam que a composição poderia comprometer os espaços políticos negociados com Motta.
Embora o apoio das legendas coloque o atual presidente em posição favorável, a votação para a Mesa Diretora é secreta, e o posicionamento oficial dos partidos não assegura automaticamente o voto de todos os deputados.
PL também mira a presidência do Senado
As negociações na Câmara fazem parte de uma estratégia mais ampla do PL para ampliar sua influência no Congresso Nacional.
No Senado, a legenda terá 28 parlamentares a partir de 2027, tornando-se também a maior bancada da Casa.
O partido pretende defender a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição, à presidência do Senado. A indicação foi anunciada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Marinho deverá enfrentar o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articula sua reeleição e já recebeu manifestações de apoio de outras legendas.
A disputa é considerada importante para a oposição porque o presidente do Senado exerce influência direta sobre a pauta legislativa e tem competência para dar andamento a pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A escolha também poderá influenciar o andamento de indicações presidenciais para tribunais superiores, que dependem de aprovação dos senadores.
Reunião pode definir o posicionamento do partido para 2027
O encontro desta terça-feira será decisivo para medir a disposição da bancada do PL em negociar com Hugo Motta. A direção partidária tenta conciliar o interesse por cargos e comissões com a pressão de deputados que defendem uma candidatura própria.
A definição poderá influenciar não apenas a eleição para a presidência da Câmara, mas também a formação dos blocos parlamentares e a distribuição de poder entre governo, oposição e partidos de centro.
Até a manhã desta terça-feira (3), não havia anúncio oficial de apoio do PL à reeleição de Motta. A reunião está prevista para as 18h, e o resultado das discussões ainda é aguardado.
*Da Agência Fonte Exclusiva








