Três registros migratórios em menos de 40 minutos, documentos diferentes apresentados às autoridades argentinas e uma viagem particular de aproximadamente US$ 150 mil.
Esses são alguns dos detalhes divulgados pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (1º), sobre o deslocamento do senador Flávio Bolsonaro (PL) até os Estados Unidos.
A viagem ocorreu após a derrota do parlamentar para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Segundo a reportagem, os registros levantaram questionamentos sobre a rota utilizada, os procedimentos de imigração e a participação de terceiros na organização do deslocamento.
Autoridades argentinas também passaram a examinar as circunstâncias da passagem do senador pelo país.
Documentos diferentes aparecem em registros migratórios
De acordo com os documentos apresentados pelo Fantástico, o nome de Flávio Bolsonaro consta em três registros de entrada na Argentina.
O primeiro teria sido realizado às 22h37, com passaporte italiano. Às 22h40, surgiu outro registro, desta vez com carteira de motorista. O terceiro ocorreu às 23h11, mediante apresentação de passaporte brasileiro.
Os dois últimos registros teriam sido cancelados posteriormente.
A sequência chamou a atenção por envolver diferentes documentos em um intervalo inferior a 40 minutos.
Apesar das informações sobre uma travessia terrestre, a reportagem também apresentou a hipótese de que Flávio tenha chegado a Puerto Iguazú por via aérea, depois de passar por Buenos Aires.
Outra possibilidade mencionada envolve um deslocamento inicial de Brasília em aeronave associada ao advogado Willer Tomaz.
A assessoria do advogado negou que aviões ligados a ele tenham sido utilizados na viagem.
Ex-integrante da inteligência israelense aparece no trajeto
A apuração também apresentou informações sobre o deslocamento da família do senador.
Segundo o programa, Fernanda Bolsonaro e as duas filhas teriam viajado separadamente até Cascavel, no Paraná, seguindo depois em direção à fronteira argentina em uma van da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo.
Em outro veículo estariam o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e Menachem Booky Halevy, identificado como ex-integrante de um serviço de inteligência israelense.
A presença de Halevy passou a integrar os questionamentos sobre a logística da viagem.
Entretanto, seu histórico profissional não comprova envolvimento oficial de qualquer serviço de inteligência na operação.
Justiça argentina busca esclarecer passagem pela fronteira
Os deslocamentos também provocaram questionamentos políticos e judiciais na Argentina.
Segundo as informações divulgadas, a Justiça do país determinou a preservação de imagens de câmeras de segurança da fronteira e do aeroporto de Puerto Iguazú.
A deputada argentina Marcela Pagano solicitou explicações sobre os registros migratórios, uma possível escolta policial e o eventual uso de veículos diplomáticos.
O objetivo das medidas é esclarecer o trajeto efetivamente realizado e verificar se houve algum procedimento irregular.
Até o momento, não há comprovação pública de participação indevida de autoridades argentinas na viagem.
Voo particular teria custado US$ 150 mil
Depois da passagem pela Argentina, Flávio Bolsonaro seguiu para os Estados Unidos em um Gulfstream G400 operado pela empresa Baires Fly.
Segundo a reportagem, o proprietário da empresa informou que o serviço custou aproximadamente US$ 150 mil.
O pagamento teria sido realizado por meio de um intermediário do setor de aviação nos Estados Unidos, sem identificação pública conclusiva de quem forneceu os recursos.
O avião teria feito uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para Miami.
Jason Miller, ligado ao entorno político do presidente americano Donald Trump, teria confirmado participação na organização do deslocamento.
Já o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou que o governo americano tenha participado dos preparativos ou facilitado a viagem.
Trump declarou que Flávio poderia permanecer no país, mas descartou um encontro com o senador.
Carta divulgada nos EUA gerou divergências
Após chegar aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro publicou uma carta contestando o resultado da eleição presidencial brasileira.
Na versão inicial, apresentou-se como o verdadeiro presidente eleito e levantou suspeitas de fraude sem apresentar provas que sustentassem as acusações.
O texto foi posteriormente modificado, substituindo a referência à condição de presidente eleito pela expressão líder do Brasil.
A manifestação provocou divergências entre integrantes da oposição e do próprio PL.
O advogado Frederick Wassef, por sua vez, rejeitou a interpretação de que a saída do senador do Brasil tenha representado uma fuga.
Medidas judiciais também são analisadas
A repercussão da viagem ocorre em meio a decisões judiciais envolvendo Flávio Bolsonaro.
Segundo as informações apresentadas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado medidas relacionadas aos passaportes do senador e à sua saída do território nacional.
O parlamentar também é mencionado em apurações que envolvem suspeitas de movimentações financeiras e relações com terceiros, incluindo o advogado Willer Tomaz.
Uma das linhas de investigação citadas envolve um possível pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, relacionado a Jair Bolsonaro.
Essas suspeitas ainda dependem de apuração e não representam comprovação de irregularidade ou condenação.
Os novos detalhes divulgados pelo Fantástico ampliam os questionamentos sobre a viagem, especialmente quanto à rota percorrida, ao financiamento do voo e à eventual participação de outras pessoas.
A confirmação de possíveis irregularidades dependerá dos documentos oficiais e das conclusões das autoridades responsáveis.
Compartilhe este conteúdo do Portal VIU! , o melhor site de notícias do Estado do Rio de Janeiro



