Um eventual impeachment do presidente Jair Bolsonaro, via Congresso, como almejam alguns setores da sociedade, terá poucas chances de resolver a crise política e institucional no Brasil.
Bolsonaro seria sucedido pelo vice Hamilton Mourão, um general da reserva que comunga dos mesmos valores e arranjos. Em síntese, são muito parecidos e não será surpresa se o vice for infinitamente pior, porque demonstra um cinismo que chega aos extremos.
Bolsonaro não respeita as instituições. Insulta. Mourão é aparentemente mais comedido, mas odeia o judiciário e o legislativo tanto quanto o seu companheiro de chapa. Não há dúvida: um é tão golpista quanto o outro.
Isso ficou evidenciado ainda antes da campanha eleitoral, quando o então general proferiu palestras na maçonaria defendendo golpe militar. Certamente que esta obediência a cartilha golpista o levou a ser escolhido vice do atual presidente.
Em recentes artigos publicados no Estadão, um deles intitulado “Limites e Responsabilidades”, Mourão praticamente tenta intimidar o Supremo Tribunal Federal (STF) e o legislativo por frearem o ímpeto discricionário do executivo. No mesmo artigo tentou responsabilizar esses poderes pelos desmandos que assolam o país.
São sinais inequívocos de que não há diferença entre o presidente e seu vice. São frutos de uma mesma árvore podre: autoritarismo. Bolsonaro e Mourão são galinhas velhas tentando ficar no choco. Mudanças de rumo, portanto, só com a cassação da chapa, mas o melhor remédio ainda é a derrota deste modelo por via eleitoral. Vontade popular é veneno na veia das ditaduras.








