Metadados de uma minuta de contrato firmada entre o Banco Master, então comandado por Daniel Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicam que o magistrado teve acesso ao documento antes da assinatura do acordo.
Os registros técnicos do arquivo mostram uma alteração associada a um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O documento foi encontrado entre os arquivos extraídos do celular de Vorcaro durante investigações conduzidas pela Polícia Federal.
O contrato previa a prestação de serviços jurídicos ao Banco Master por três anos. Considerando os valores mensais e os impostos previstos no acordo, o custo poderia ultrapassar R$ 131 milhões.
Segundo informações divulgadas sobre o documento, estavam previstos pagamentos líquidos de R$ 3 milhões por mês durante 36 meses. Com a incidência dos tributos, o valor mensal chegaria a aproximadamente R$ 3,6 milhões.
Escritório confirma que Moraes analisou minuta
O escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes teve acesso ao documento antes da formalização do contrato.
De acordo com a banca, o ministro foi consultado para verificar se existia algum impedimento jurídico relacionado à contratação do Banco Master, principalmente diante da possibilidade de processos envolvendo a instituição chegarem ao Supremo.
O escritório afirma que não foi identificado conflito porque o contrato não previa atuação perante o STF e, naquele momento, Moraes não teria julgado processos de interesse do banco.
A banca também sustenta que a participação do ministro se limitou à análise dessas questões e que ele não participou dos serviços jurídicos prestados ao Master.
Arquivo registra alteração antes do envio a Vorcaro
Os metadados analisados mostram que uma das alterações no arquivo ocorreu em janeiro de 2024 e ficou vinculada ao perfil com o nome de Alexandre de Moraes.
Naquele período, a minuta circulava entre o escritório e Daniel Vorcaro. O empresário havia recebido uma versão do documento, feito alterações e pedido a análise de uma cláusula acrescentada ao contrato.
Depois disso, o arquivo passou por nova modificação antes de ser encaminhado novamente ao banqueiro.
Embora os metadados registrem o usuário associado à edição, esses dados, isoladamente, não permitem determinar o conteúdo exato de todas as mudanças realizadas no documento nem estabelecem, por si só, a existência de irregularidade.
Pagamentos foram interrompidos após crise do Master
O contrato começou a produzir efeitos em 2024 e deveria seguir até 2027. Os pagamentos, porém, foram interrompidos depois da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025.
Informações enviadas às investigações indicam que o escritório recebeu valores milionários da instituição entre 2024 e 2025.
A banca já havia informado anteriormente que prestou serviços jurídicos ao banco e produziu dezenas de pareceres e opiniões legais durante a vigência do acordo. Também afirmou que outros escritórios participaram das demandas e que foram realizadas reuniões presenciais e por videoconferência com representantes da instituição financeira.
Material estava no celular de Vorcaro
A minuta faz parte do conjunto de documentos e mensagens recuperados do aparelho de Daniel Vorcaro.
O conteúdo encontrado pela Polícia Federal passou a ser analisado no contexto das investigações envolvendo o Banco Master e as relações mantidas pelo ex-banqueiro com autoridades e outros interlocutores.
Outras conversas apreendidas também revelaram preocupação de Vorcaro com pagamentos ao escritório e referências à necessidade de manter informações relacionadas ao contrato sob acesso restrito.
As mensagens e os documentos vêm sendo examinados pelas autoridades para esclarecer o contexto das negociações e a atuação dos envolvidos.
Caso segue sob análise
As informações sobre o contrato surgem em meio ao aprofundamento das investigações relacionadas ao Banco Master.
Parte do material apreendido foi encaminhada para avaliação de autoridades do Judiciário e da Procuradoria-Geral da República.
Até o momento, o registro de edição encontrado nos metadados não representa, sozinho, prova de prática ilegal. O que os documentos indicam é que um perfil identificado com o nome de Alexandre de Moraes teve acesso à minuta antes da assinatura do acordo, fato reconhecido pelo escritório.
A banca sustenta que a consulta ocorreu exclusivamente para analisar eventuais impedimentos jurídicos relacionados à contratação. O alcance dessa participação e o contexto dos documentos continuam sendo analisados no âmbito das investigações.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








