Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, pretende continuar vivendo na Espanha com a família durante o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada pelo portal Metrópoles, que atribuiu o relato a pessoas próximas ao empresário.
De acordo com a reportagem, a defesa de Lulinha afirma que ele só deve voltar ao Brasil caso seja formalmente chamado pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre as apurações que envolvem seu nome.
O empresário é citado em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). As investigações apuram suspeitas de possíveis irregularidades relacionadas a negócios e relações empresariais durante o terceiro mandato de Lula. Até que haja conclusões das autoridades e decisões judiciais, as suspeitas não representam comprovação de culpa.
Quais investigações envolvem Lulinha?
Uma das apurações busca esclarecer possíveis indícios de tráfico de influência em benefício de um empresário conhecido como “Careca do INSS”. O caso envolve a compra de produtos à base de cannabis medicinal e suspeitas sobre a atuação de pessoas ligadas às negociações.
Outro inquérito examina contratos firmados entre a empresa de tecnologia 3Structure IT e a Dataprev, estatal responsável por serviços tecnológicos relacionados à Previdência Social.
A terceira frente envolve negociações entre a lobista Roberta Luchsinger e Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. As autoridades investigam as circunstâncias dessas relações e possíveis conexões com os demais fatos apurados.
Durante a campanha eleitoral, Lula foi questionado sobre as investigações envolvendo o filho. Na ocasião, afirmou que não pretende interferir no trabalho da Polícia Federal e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas.
“Meu filho sabe se cometeu erro. Ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado”, declarou o presidente.
Pedido de investigação na Espanha questiona empresa ligada ao empresário
Além dos inquéritos no Brasil, Lulinha também foi citado em uma representação apresentada em agosto ao Ministério Público da Espanha. O pedido foi protocolado pelo blogueiro Oswaldo Eustáquio e pelo advogado Fábio Pagnozzi, que representa a ex-deputada Carla Zambelli, atualmente na Itália.
O documento solicita a apuração das atividades da Synapta SL, empresa vinculada ao empresário e registrada em Madri. Os autores levantaram a hipótese de que a companhia poderia ser utilizada para ocultar recursos relacionados a investigações brasileiras ou facilitar a obtenção de autorização de residência no território espanhol.
As alegações, no entanto, foram contestadas pela defesa de Lulinha. O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou a iniciativa como uma tentativa de interferência da oposição no processo eleitoral e afirmou que a empresa está inativa e não mantém relação com assuntos governamentais brasileiros.
Oswaldo Eustáquio também responde a investigação no STF
Um dos responsáveis pela representação apresentada na Espanha, Oswaldo Eustáquio, também enfrenta questões judiciais no Brasil. Em outubro, ele se tornou réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de associação criminosa relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Segundo as apurações, Eustáquio teria participado de mobilizações que defendiam a atuação das Forças Armadas para impedir a posse de Lula. Ele também é apontado como participante da convocação de manifestações contra o presidente nas redes sociais e de acampamentos instalados em frente a unidades militares.
O blogueiro vive na Espanha e é considerado foragido desde 2023, quando deixou o Brasil enquanto estava submetido a medidas judiciais relacionadas a acusações de crimes contra a democracia. Em 2025, a Justiça espanhola rejeitou o pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.
Apesar da situação judicial, Eustáquio registrou candidatura a deputado federal pelo União Brasil no Paraná nas últimas eleições. Ele recebeu 2.655 votos.
*Da Agência Fonte Exclusiva







