O desgaste entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou ao Palácio do Planalto.
O ministro Gilmar Mendes procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (1º) para manifestar preocupação com a escalada do conflito envolvendo a cúpula da corporação e decisões tomadas pelo magistrado em investigações de grande repercussão.
Segundo relatos publicados pela imprensa, Gilmar afirmou que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, vinha procurando integrantes do governo para demonstrar insatisfação com determinações de Mendonça consideradas pela corporação como interferências na condução de inquéritos.
Entre os órgãos acionados estariam a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça. A PF teria buscado respaldo institucional para contestar algumas medidas, enquanto a AGU avaliou que determinadas iniciativas sugeridas pela corporação poderiam representar uma intervenção processual sem precedente e trazer riscos às próprias investigações.
Investigações sobre o INSS ampliaram tensão
Parte dos desentendimentos envolve inquéritos relacionados às fraudes no INSS e investigações que alcançam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
A Polícia Federal demonstrou incômodo com decisões de Mendonça envolvendo acesso a dados e condução das apurações. Em agosto, por exemplo, o ministro determinou acesso a informações obtidas em quebras de sigilo no caso e também ampliou uma investigação sobre possíveis vazamentos.
Relatórios produzidos pela própria PF passaram ainda a questionar a atuação do ministro. Um deles apontou o que os investigadores classificaram como possível diferença de critérios entre apurações envolvendo Lulinha e outras figuras políticas.
A defesa de Fábio Luís nega irregularidades e já questionou a condução das investigações.
Crise ganhou novo capítulo com caso Master
O ambiente de atrito se agravou com os desdobramentos do caso Banco Master e a divulgação de mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que trouxe referências e mensagens envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A divulgação aprofundou as divergências dentro do Supremo e levou Moraes a pedir investigação sobre a atuação de Mendonça. O presidente do STF, Edson Fachin, passou a conduzir as medidas destinadas a analisar as acusações e tentar conter a crise institucional.
Segundo relatos de bastidores, Gilmar Mendes considera que as dificuldades anteriores na relação entre a PF e Mendonça ajudaram a criar o ambiente de confronto que agora atinge diferentes integrantes do Supremo e do governo.
Reunião ocorreu fora da agenda
O encontro entre Gilmar e Lula ocorreu fora da agenda oficial do presidente.
De acordo com as informações divulgadas, o ministro teria defendido que o governo desse maior atenção às reclamações apresentadas pela direção da Polícia Federal, argumentando que eventuais interferências indevidas em investigações não deveriam ser tratadas apenas como um problema interno do STF.
A AGU, por outro lado, sustenta que procurou agir dentro de seus limites constitucionais e evitar medidas que pudessem comprometer juridicamente investigações em andamento.
A crise envolvendo PF, STF e outros órgãos do sistema de Justiça ocorre em meio a investigações sensíveis e ampliou as cobranças por respostas institucionais sobre a atuação de autoridades.
*Da Agência Fonte Exclusiva








