Após receber alta do hospital DF Star, em Brasília, onde foi diagnosticado com provável pneumonia viral, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou neste sábado que tenha utilizado a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários políticos, como apontou a Polícia Federal em inquérito recente. As declarações foram dadas à imprensa na saída da unidade de saúde, horas antes de Bolsonaro publicar um vídeo convocando apoiadores para um ato na Avenida Paulista no próximo fim de semana.
“Usada para quê? Para qual finalidade eu quero saber se você está aqui hoje ou não está? Não existe isso. Teria um contato com a autoridade, ligava para o gabinete dele, se adiantava e fazia o contato sem problema nenhum. Criaram uma fantasia de que eu estava monitorando as pessoas. Para que eu queria saber onde tá A, B ou C? Não tem cabimento isso aí. Alguém reclamou de estar sendo monitorado? Não!”, afirmou o ex-presidente, em tom de deboche.
O comentário ocorre dias após a Polícia Federal concluir o inquérito da chamada “Abin paralela”, um esquema clandestino de espionagem supostamente operado dentro da estrutura oficial da agência. Segundo a PF, o grupo monitorava ilegalmente políticos, ministros do STF, jornalistas e outras autoridades. Bolsonaro não foi formalmente indiciado nesse caso por já figurar como réu em outros inquéritos por organização criminosa, como o das milícias digitais e o da tentativa de golpe, mas foi apontado como o “centro de decisão” da estrutura.
O ex-presidente, no entanto, alegou que o cargo de chefe do Executivo não lhe dava poder sobre os serviços de inteligência do país. “Você não tem acesso, não tem ascendência sobre a inteligência no Brasil. Nem das Forças Armadas, nem da Abin, nem da PF. Ninguém. É uma estrutura autônoma”, declarou.
Apesar das negativas, as investigações da PF indicam que Bolsonaro se beneficiou diretamente da estrutura de monitoramento para fins pessoais e políticos, inclusive em articulações paralelas para se manter no poder após a derrota eleitoral em 2022.
Logo após deixar o hospital, Bolsonaro divulgou um vídeo em que aparece com ar abatido, mas em tom firme, convocando seus apoiadores para uma nova manifestação na Avenida Paulista. “É por liberdade, por Justiça”, disse o ex-presidente, num discurso que reforça o teor de enfrentamento ao Judiciário e ao governo Lula, marca das mobilizações bolsonaristas.
Em fevereiro, Bolsonaro liderou um ato similar na capital paulista, que também foi utilizado como palanque político e tentativa de reforçar sua base de apoio em meio às investigações judiciais. A nova manifestação ocorre num momento em que ele acumula derrotas judiciais e vê seus aliados cada vez mais pressionados por denúncias criminais.
Segundo seus advogados, o ex-presidente continuará negando as acusações e afirma que as investigações são parte de uma perseguição política. A convocação para o novo ato acontece ao mesmo tempo em que cresce a expectativa de desdobramentos dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal, como o da tentativa de golpe e o da Abin paralela.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da Agência Brasil.








