A trajetória desastrosa do ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, e do ex-vice-presidente de Negócios, Celso Leonardo Derzier Barbosa, no mundo corporativo não começou agora, com os recentes episódios que culminaram com pedidos de demissão na diretoria do banco estatal, sob denúncias de assédio sexual e moral.
A dupla também passou pelo comando da Usina Nova Canabrava, fabricante de etanol na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), Norte Fluminense.
Eles assumiram o comando da indústria na tumultuada gestão do Banco Brasil Plural, em 2017, responsável por um rombo nas contas da empresa, quase implicando no seu fechamento.
Até mesmo os débitos tributários com o fisco estadual que fundamentaram uma verdadeira campanha midiática ancorada por denúncias do MP contra a indústria, vem desse período, contudo são difundidos como se fosse coisa nova.
A gestão do Banco Brasil Plural foi desastrosa, considerada o pior ano da indústria, período em que foi acusada de promover derrame de etanol adulterado no mercado.
Em números de 2008 a 2016, estima-se que os Fundos de Pensão Petros e Postalis colocaram R$ 450 milhões na Canabrava, via Fundo de Investimentos em Participação (FIP) Bioenergia e compra de dívidas. O dinheiro virou pó na gestão do Banco Brasil Plural. Só o Postolis investiu R$ 344 milhões durante a gestão Plural.
Não se sabe se por lapso, má fé ou desconhecimento, setores da imprensa corporativa continuam comendo mosca nesse episódio. Além de propagar uma campanha denuncista e sistemática contra a indústria, mantém a invisibilidade de dois personagens que agora estão no noticiário nacional por malfeitos na diretoria da Caixa, ainda que a dupla de executivos tenha deixado lembranças amargas no Norte Fluminense.
O resumo da história é que os pecados da gestão do Banco Brasil Plural foram noticiados sistematicamente como problemas de uma gestão que entrou posteriormente por meio de arrendamento. Essa cobertura não é simplesmente erro de imprensa. É crime reiterado tanto das fontes de informação quanto de quem noticiou.
A Nova Canabrava só não fechou após a gestão do Banco Brasil Plural, porque foi realizado um arrendamento que assumiu todo o passivo, principalmente trabalhista, e honrou os pagamentos em parcelas.
Contudo, a gestão temerária que até hoje deixa sequelas nas contas da indústria, desfruta de uma invisibilidade em todas as denúncias do Ministério Público Estadual (MPRJ) e da imprensa corporativa.
A Nova Canabrava, que acaba de entrar em Recuperação Judicial, ainda convive com problemas do período da gestão do Banco Plural, leia-se Pedro Guimarães e Celso Leonardo Derzier Barbosa.
O silêncio sobre o caso Pedro Guimarães, Celso Leonardo e Usina Nova Canabrava reforçam a necessidade do jornalismo filtrar melhor as pautas quem vem do MP, diferenciando o que é notícia daquilo que é fomento a campanha midiática ou, do contrário, o seletivismo praticado na Lava-Jato continuará reproduzindo filhotes.
Tem muitos blogueiros e críticos da lava-jatismo reproduzindo o modus operandi da imprensa corporativa na Lava-Jato. Sobre esse capítulo da trajetória dos dois executivos, vem duas perguntas que não calam: quando é que esse capítulo Nova Canabrava será devidamente inserido na pauta do MP? Por que esses nomes nunca foram mencionados nas denúncias contra a indústria produtora de etanol? Ganha um litro de liquido precioso quem souber a resposta.








