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Família de Moïse vai administrar quiosque sem pagar aluguel até 2030

Imigrante congolês foi espancado e morto no último dia 24

redacao Por redacao
09/02/2022 - 12:54
em Cidade
A A
Prefeitura vai transformar quiosques na Barra da Tijuca em memorial em homenagem ao congolês Moïse Kabagambe e à cultura africana

Projeto mostra o rosto de Moïse no quiosque — Foto: Divulgação

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A família do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, que foi espancado e morto no último dia 24, vai administrar o quiosque onde o crime ocorreu até fevereiro de 2030 sem pagar aluguel, segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro. Um termo de compromisso foi assinado nesta segunda (7). As informações são do Yahoo.

O projeto havia sido divulgado no sábado (5), mas agora foi formalizado em uma reunião entre o prefeito Eduardo Paes (PSD), os irmãos e a mãe da vítima, Ivana Lay, e representantes da concessionária Orla Rio, responsável pelos estabelecimentos.

“A nossa sociedade repudia o crime brutal de que o Moïse foi vítima. Sabemos que a perda de vocês não vai ser reparada com essa atitude, mas queremos que a memória do Moïse fique viva e que esse ato tão brutal seja permanentemente lembrado para que as pessoas não repitam”, disse Paes.

O termo de compromisso afirma que a família só terá que arcar com os custos de luz, água e taxa de lixo enquanto durar o contrato de concessão dos quiosques Tropicália e Biruta, que são colados, localizados na Barra da Tijuca (zona oeste carioca).

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A cessão do segundo local ainda depende de pendências na Justiça —a concessionária tem que retomar a posse do lugar, que foi cedido pelo operador original a terceiros. Quem o administrava era um policial militar e sua irmã, segundo os funcionários afirmaram à polícia.

Um dos três presos temporariamente pelo homicídio, Aleson Cristiano Fonseca, trabalhava ali. Já Brendon Alexander Luz da Silva trabalhava na Barraca do Juninho, em frente aos quiosques e também gerida pelo policial. O terceiro preso, Fabio Pirineus da Silva, vendia caipirinhas na areia.

A Orla Rio prometeu que vai dar suporte jurídico e contábil e treinamento em gestão à família de Moïse, assim como já acontece com os outros operadores. Afirmou que vai reformar o espaço e instalar equipamentos e mobiliário, conforme projeto que ainda tem que ser aprovado pelos parentes.

A ideia é que os dois quiosques sejam transformados em uma espécie de memorial em homenagem à cultura africana, incluindo um painel com uma foto do jovem morto. A intenção é que os funcionários contratados sejam refugiados do continente.

“Gostaríamos de agradecer ao povo brasileiro pela solidariedade. A gente sabe que essa ação que aconteceu com o meu irmão não é o coração de todo o povo brasileiro, mas de delinquentes. Recebemos muitas mensagens, muito apoio de muitas instituições”, disse o irmão do congolês Samy Kabagambe no evento.

A ação conta com parcerias da Fundação João Diamante, do SindRio (Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio), da gestora de alimentos Danni Camillo e do Instituto Akhanda.

O Governo do Estado do RJ também recebeu 11 integrantes da família nesta segunda, com participação por telefone do governador Cláudio Castro (PL). A secretaria de Desenvolvimento Econômico ofereceu uma linha de crédito por meio da AgeRio (Agência Estadual de Fomento).

Já a pasta de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos disse que eles poderão entrar no programa Provita, que visa proteger vítimas ou testemunhas de ameaças. Parentes de Moïse relataram ao jornal Folha de S.Paulo que se sentiram intimidados por dois policiais militares que os abordaram após o crime em duas ocasiões, o que está sendo apurado pela Corregedoria da PM.

A secretaria de Assistência à Vítima, por sua vez, afirmou que já atua no atendimento psicológico dos familiares e que ofereceu aulas de jiu-jitsu ao irmão mais novo de Moïse, de 7 anos, no polo estadual de Madureira.

A Defensoria Pública do estado também se reuniu com a família nesta segunda e informou que vai dar assistência jurídica, cuidar das questões relacionadas à reparação cível e prestar apoio para que a permanência do grupo no Brasil seja regularizada.

“Sabemos que nada é capaz de reparar a perda de um ente querido, sobretudo da forma brutal como foi. Mas estamos aqui para colocar nossa instituição inteiramente à disposição de vocês naquilo que nos cabe, que é buscar indenização, pensão, o que for cabível”, disse o defensor-geral, Rodrigo Pacheco.

O advogado Rodrigo Mondego, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, seguirá representando a família nas questões referentes à ação criminal contra os agressores.

Tags: #Moïse Kabamgabe#Violência no RJ
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