O volume de denúncias que emergem diariamente em Presidente Kennedy, no sul do Espírito Santo, fazem da Prefeitura um “barril de pólvora” em ano eleitoral. E nesta pequena cidade rica turbinada por royalties do petróleo, as relações de poder parecem girar em torno de dinheiro.
E o valor da propina para agentes públicos no município, segundo relatos de um empresário, é mensurado pelo tamanho da caixa utilizada para guardar as quantias na hora da entrega.
Ou seja, de acordo com o tamanho da caixinha que acomoda o numerário, o receptor da propina já saberia quanto está recebendo do corruptor.
Uma dessas caixinhas teria sido entregue a um homem identificado como Rodolfo, que seria filho do prefeito Dorley Fontão.
Esse detalhamento está descrito em mais um áudio obtido pela agência Fonte Exclusiva e disponibilizado na plataforma digital para consulta pública, depois da constatação, por meio de recursos tecnológicos, de que não se trata de montagem.
O conteúdo do áudio mais recente, assim como outros, também é real e mostra o diálogo, supostamente, entre Josiano de Aquino Silva, encarregado da empresa Multilimpe, e um empreiteiro identificado como Miguel Caetano Gomes Rocha, que seria responsável pelas empresas AML Obras e Construções EIRELI-ME e a Thor Construtora EIRELI-ME.
No áudio, o empresário que toca negócios com o poder público local fala sobre processos licitatórios que seriam previamente combinados no âmbito da Prefeitura. CONFIRA:
DIVISÃO DE LOTES
As obras previamente negociadas estariam divididas em lotes e algumas são tratadas entre os próprios fornecedores com indícios que haveria aquiescência de agentes públicos.
O empresário cita o secretário de obras do Município, Wagner Porto Vianna, primo do presidente da Câmara de Vereadores, Thiago Viana, além de citar um suposto favorecimento da empresa Lockin, sediada em Vila Velha (ES).
No mesmo áudio, o empresário fala sobre uma suposta entrega de caixinha com dinheiro a um filho do prefeito à título de ajuda.
“[…] Da vez passada, Dorley estava com problema de viagem ou foi no médico, entreguei ajuda a ele numa caixa de fita de cartucho de impressora, lacrei, fechei, zerei com fita incolor e entreguei: ´toma!´ […]”, diz em um trecho do áudio.
O empreiteiro faz a leitura de um documento que diz ter enviado ao prefeito e cita uma denúncia enviada ao Tribunal de Contas do Estado.
Presidente Kennedy é uma cidade repleta de problemas. Tem um alto índice desemprego e problemas cônicos na saúde. Apesar do dinheiro farto, falta remédios básicos na rede municipal de saúde. O sistema de transporte é caótico.
Nos últimos anos, no entanto, o município vive nas páginas policiais. O atual mandatário era vice da prefeita Amanda Quinta , afastada no âmbito da Operação Rubi, sob acusação de receber propina.
Dorley assumiu o cargo e lançou-se candidato à reeleição, mas dezenas de áudios já estariam em poder do Ministério Público reforçando indícios de que o esquema de corrupção persiste na sua administração. Um dos áudios já exibidos por Fonte Exclusiva tem a voz do próprio prefeito. Confira:
O áudio fala também em Vianei Viana (PSB), que abriu mão de sua pré-candidatura à sucessão municipal em apoio a reeleição de Dorley. Viana é pai do presidente da Câmara e tio do secretário de Obras.
A conversa no áudio transcorre com o som do carro ligado tocando músicas de Agnaldo Timóteo. Uma das canções que servem como fundo é “Ninguém é de ninguém”.
OUTRO LADO
A reportagem tentou contato com o empresário Miguel Caetano Gomes Rocha por telefone, mas a pessoa que atendeu o telefone, depois de perguntar “quem quer falar”, informou que no número discado não seria possível falar com ele.
A reportagem não conseguiu contato com as demais pessoas citadas no áudio.








