Leia o inquérito da Operação Boca de Lobo na íntegra e saiba como operava a organização criminosa liderada por Cabral e Pezão; Dinheiro que TCE-RJ arrecadava com multas foi usado no esquema
O inquérito de número 1.239 que abriu a porteira para deflagrar a Operação Boca de Lobo, no Rio de Janeiro, na quinta-feira (29), é digna de um roteiro de filme. Impressiona ao descrever o modus operandi de uma máfia tropical que aparelhou o Estado fluminense.
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Entre os presos na Operação Boca de Lobo está o governador Luiz Fernando Pezão (MDB), ex-vice e secretário de Obras do antecessor Sérgio Cabral (MDB), que também está preso.
A Operação Boca de Lobo foi autorizada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Felix Fischer.
PEZÃO, O SUCESSOR NA HIERARQUIA DE COMANDO
O inquérito aponta Pezão como sucessor de Cabral não apenas no governo estadual, mas também no comando de uma organização criminosa bem estrutura na arrecadação e distribuição de propina. O dinheiro sujo jorrou na era cabralina e continuou no governo Pezão, de forma que o governador nem chegava a movimentar o salário de chefe do executivo.
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Pezão, de forma destemida e ousada, manteve o esquema de arrecadação de propina mesmo depois da prisão do seu antecessor.
Segundo o MPF, o braço da organização criminosa no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) irrigou o propinoduto com recursos do Fundo Especial de Modernização do Controle Externo, que é financiado por multas aplicadas aos gestores, principalmente prefeitos, por má conduta. É um dinheiro de uso exclusivo do TCE.
As multas são pedras que ficam no sapato gestores públicos, principalmente prefeitos do interior, pelo resto da vida. Tem gente que leva mais de 20 anos pagando, porque são imprescritíveis. Portanto, ordenadores de despesas e prefeitos multados foram submetidos a um processo de financiamento de um Fundo tungado pela corrupção.
COMO O TCE-RJ MOVIMENTOU DINHEIRO NO PROPINODUTO
Por meio de um acordo firmado entre TCE e governo do Estado, o Fundo da Corte de Contas destinou dinheiro para pagar faturas de empresas que forneciam alimentos para o Sistema Penitenciário e o Degase. O dinheiro foi repassado para o Estado. As empresas que recebiam faturas atrasadas pagavam um oxigênio de 10% aos operadores financeiros do esquema criminosa, que entregavam ao então presidente do TCE, Jonas Lopes de Carvalho, que, por sua vez, fazia a partilha entre os demais conselheiros do TCE.
Era jogo de esperto. O Ministério Público Federal (MPF) narra que o combinado originalmente era o “oxigênio” de 10% para o TCE, mas o ex-presidente inseriu uma gordura de 5%. Embolsou essa diferença e compartilhou os outros 10% com os comparsas.
É possível que a Lava Jato tenha novos capítulos no Rio de Janeiro antes do natal. A força tarefa continua de olho no legislativo, por isso tem deputado estadual que integrava o braço parlamentar da máfia esgotando estoques de Lexotan. A prisão de mais deputados estaduais será inevitável.
O grande leviatã já chegou ao Executivo, Legislativo e Ministério Público, mas ainda não chegou ao judiciário. Há quem diga que a Lava Jato no Estado não conseguirá promover a Lava Toga.








