PROPINA RENDIA ATÉ 13º: Veja de forma detalhada o que levou a força-tarefa da Lava Jato a prender o governador do Rio Luiz Fernando Pezão:

*Reportagem Especial 

A delação premiada de Carlos Miranda, operador financeiro do esquema de  Sérgio Cabral, desencadeou a operação Boca de Lobo, deflagrada nesta quinta-feira (29). A força-tarefa prendeu o atual governador Luiz Fernando Pezão, sucessor de Cabral. O ex-governador também está preso.

Pezão recebeu voz de prisão por volta das 6h no Palácio Laranjeiras, residência oficial do chefe do estado. Ao suceder Cabral, ele teria montando o seu esquema.

Momento em que os agentes da Polícia Federal chegam ao Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que foi preso nesta manhã (29). Saiba mais: https://www.portalviu.com.br/politica/prisao-do-governador-luiz-fernando-pezao/

Publiée par Portal VIU sur Jeudi 29 novembre 2018

Vídeo: chegada da Polícia Federal na residência oficial do governador | Fonte: Portal VIU! – Facebook

O QUE DIZ O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

Segundo o Ministério Público Federal, Pezão opera esquema de corrupção próprio, com seus próprios operadores financeiros. Há provas documentais do pagamento em espécie a Pezão de quase R$ 40 milhões, em valores de hoje, entre 2007 e 2015.

Na avaliação da força-tarefa da Lava Jato, solto, o governador poderia dificultar ainda mais a recuperação dos valores, além de dissipar o patrimônio adquirido em decorrência da prática criminosa. Segundo o MPF, o esquema de corrupção ainda estava ativo.

A assessoria do governo do estado afirmou que não vai se pronunciar. Com a prisão de Pezão, assume automaticamente Francisco Dornelles, seu vice.

PRESIDENTE DO TJRJ PODE ASSUMIR O GOVERNO

A prisão de Pezão torna o processo sucessório imediato tumultuado. Dornelles está doente e o presidente da Alerj, Jorge Picciani, está em prisão domiciliar. Em se confirmando esta leitura, a Constituição estadual determina que, na ausência de ambos, assume o presidente do TJ-RJ, desembargador Milton Fernandes de Souza.

6 TÓPICOS PARA ENTENDER A OPERAÇÃO BOCA DE LOBO

1 – A prisão preventiva foi determinada pelo STJ;

2 – São nove mandados de prisão, incluindo a de Pezão, e 30 de busca e apreensão;

3- A decisão foi baseada em delação de Carlos Miranda, operador financeiro de Cabral;

4- A Justiça determinou o bloqueio de R$ 39 milhões em bens;

5-  São investigados os crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção ativa e passiva.

6- Pezão é o quarto governador do Rio a ser preso.

Foto: G1

MANDADOS DE PRISÃO EXPEDIDOS PELA JUSTIÇA

Luiz Fernando Pezão, governador do Estado do Rio de Janeiro

José Iran Peixoto Júnior, secretário de Obras de Pezão

Affonso Henriques Monnerat Alves da Cruz, secretário de Governo de Pezão

Luiz Carlos Vidal Barroso, servidor da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico

Marcelo Santos Amorim, sobrinho do governador

Cláudio Fernandes Vidal, sócio da JRO Pavimentação

Luiz Alberto Gomes Gonçalves, sócio da JRO Pavimentação

Luis Fernando Craveiro de Amorim, sócio da High Control Luis

César Augusto Craveiro de Amorim, sócio da High Control Luis

LOCAIS EM QUE SÃO REALIZADAS AS BUSCAS E APREENSÕES

Governador Luiz Fernando Pezão | Foto: Agência Brasil

Como parte da Operação, a Polícia Federal cumpre 30 mandados de busca e apreensão. Um deles é na casa de Pezão em Piraí, no Sul do estado, base eleitoral do governador.

Há equipes também no Palácio Guanabara, sede do governo, no bairro Laranjeiras.

A ordem de prisão preventiva foi expedida pelo ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde governadores têm foro.

O Rio de Janeiro vivencia uma situação atípica no plano político. Atualmente, os dois principais representantes dos dois poderes (executivo e legislativo) do Estado estão presos. Além de Pezão, o presidente da Alerj, Jorge Picciani está em prisão domiciliar.

O QUE O OPERADOR FINANCEIRO RELATOU AO MPF

Delator Carlos Miranda | Foto: Reprodução

Carlos Miranda detalhou o pagamento de mesada de R$ 150 mil para Pezão na época em que ele era vice do então governador Sérgio Cabral. Também houve, segundo a delação, pagamento de 13º de propina e ainda dois bônus de R$ 1 milhão como prêmio.

Segundo o depoimento à Justiça, o “homem da mala” do ex-governador Sérgio Cabral disse que o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, guardou R$ 1 milhão em propina com um empresário do Sul Fluminense.

O nome da operação faz alusão aos desvios de recursos, revelados nas diversas fases da Operação Lava Jato, que causa a sensação na sociedade de que o dinheiro público vem escorrendo para o esgoto.

Boca de Lobo é o dispositivo instalados em vias públicas para receber o escoamento das águas da chuva drenadas pelas sarjetas com destino às galerias pluviais.

DE ONDE VINHA O DINHEIRO DA PROPINA

O trecho da delação, homologada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, foi revelado pelo jornal O Globo em abril.

“O dinheiro vinha de empreiteiras e fornecedoras que tinham contrato com o governo do estado”, afirmou o delator. Miranda acrescentou ainda que, de 2007 a 2014, Pezão, na época vice-governador, também ganhou um 13º salário, além de dois bônus, de R$ 1 milhão cada.

Com a prisão de Luiz Fernando Pezão nesta quarta-feira (29), quatro dos últimos cinco governadores eleitos do Rio de Janeiro estão ou já foram presos. Sérgio Cabral, Anthony Garotinho e Rosinha Matheus foram presos quando já não eram mais governadores do RJ.

Garotinho e Rosinha foram presos por acusação de crime eleitoral, sem conexão com casos de corrupção da Lava Jato.

Nas duas ocasiões em que foi ouvido sobre o caso, o governador, por meio de nota oficial, negou as acusações. Sobre a mesada, Pezão disse que “as afirmações eram absurdas e sem propósito”. “O governador afirma que jamais recebeu recursos ilícitos e já teve sua vida amplamente investigada pela Polícia Federal”, disse a nota.

*Agência VIU! | Texto revisado em 29/11/2018, às 13h03min

 

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