Romário volta ao noticiário, desta vez na revista Veja. Ele seria dono de uma fortuna de R$ 7,5 milhões em um banco da Suíça sem declarar a Receita Federal no Brasil. O crime de sonegação fiscal, segundo a revista, está sendo investigado pelo MPF |
Personagem de uma recente postagem neste espaço por conta da série de trapalhadas que está promovendo a frente da direção regional do PSB no Rio de Janeiro, o senador Romário agora “brilha” numa reportagem de Thiago Prado e Leslie Leitão no site da revista Veja. Desta vez a bronca é dinheiro depositado em um banco suíço e não declarado a receita Federal. São indícios de crime de sonegação fiscal. O que vem de Romário ou de suas companhias não surpreende.
Seria prudente aos repórteres de Veja avaliar a folha corrida de cada um dos membros do diretório regional do PSB do Rio nomeados por Romário. Garanto que, neste caso, terão grandes surpresas.
O senador – que por enquanto está no PSB -, é o mais puro produto da cartolagem. Graças ao sucesso no gramado, ele vive uma passagem meteórica na política. Não tem a mínima consistência ideológica e anda em péssimas companhias. Em seu pragmatismo política também é negócio. Não se sabe a razão, mas parece ser homem de corpo fechado na direção nacional da legenda, graças ao compadrio com o núcleo da velha política que ganhou espaço após a morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Portanto, é mais um candidato a sair da política, em algum momento, pela porta dos fundos.
Como dirigente partidário no Rio de Janeiro, em poucos meses o senador já conseguiu destruir toda a estrutura partidária em 92 municípios do Estado. Isso graças à cumplicidade dos atuais membros da direção nacional. É a mais pura demonstração de que o PSB de Miguel Arraes está morto e sepultado.
Segue abaixo a reportagem transcrita do site da revista Veja:
Romário tem conta milionária na Suíça – e não a declarou ao Fisco
Quem o vê na tribuna do Senado, fustigando os cartolas do futebol com acusações de irregularidades e à frente de uma CPI sobre falcatruas na Confederação Brasileira de Futebol, se impressiona: Romário de Souza Faria, 49 anos, ídolo da seleção, firma-se cada vez mais na política com um vigoroso discurso em defesa da ética e da lisura. A postura, apimentada por seus comentários afiados, é tão bem-sucedida entre os eleitores que o levou a ganhar com folga a disputa pelo Senado no Rio de Janeiro, na eleição do ano passado, e o coloca agora no topo das pesquisas sobre os mais cotados para a prefeitura do Rio em 2016.
Tamanha popularidade acaba por deixar na sombra uma flagrante incongruência entre o Romário senador e o Romário cidadão: na vida pessoal, o ex-jogador é notório por suas pendências financeiras. Uma delas está nas mãos do Ministério Público Federal: um extrato de uma conta bancária em nome de Romário no banco suíço BSI, com sede em Lugano, no valor de 2,1 milhões de francos suíços, o equivalente a 7,5 milhões de reais. A pequena fortuna não aparece na declaração oficial de bens encaminhada por Romário à Justiça Eleitoral em 2014. Romário disse a VEJA que nunca ouviu falar da conta: “Até agradeço por me informarem. Se for dinheiro meu, vou buscar”.
No extrato consta um crédito de rendimentos em aplicações no período de um ano a partir de 31 de dezembro de 2013, o que fez elevar o saldo aos mais de 7 milhões de reais atuais. A data do documento é 30 de junho de 2015. Ter dinheiro no exterior não é proibido. No caso de Romário, isso não necessariamente levanta suspeitas sobre sua origem, pois ele jogou em grandes clubes europeus, recebendo em moeda forte. “Abri contas na Holanda e na Espanha e, para ser sincero, não sei se fechei. Mas nunca mais movimentei”, diz Romário.
Brasileiros com conta em bancos estrangeiros e saldo acima do equivalente a 100 000 dólares devem informar à Receita Federal, que cobrará o imposto devido. Em 1997, quando jogava no Valencia, da Espanha, Romário foi autuado pelo Fisco por ter aberto empresas nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal, e para lá transferido aplicações e propriedades. O objetivo era escapar dos impostos. Só o valor que consta no extrato do BSI em nome de Romário supera em quase seis vezes o patrimônio total declarado por ele à Receita Federal, como é exigido de candidatos a cargos eletivos. Romário informou à Receita que seu patrimônio total era de 1,3 milhão de reais, entre imóveis, terrenos, cotas de empresas e aplicações financeiras.
A conta não declarada na Suíça passa a ocupar o topo da lista de enroscos financeiros de Romário em tempos recentes. Quando se examina o comportamento dele nessa área, não naquela em que reinou, fica evidente que o Baixinho é mau pagador. A lista de faturas em aberto no Rio de Janeiro vai de condomínios a pensão de filhos, passando pelo Fisco e pelo INSS. Só em impostos federais, Romário acumula pendências em torno de 2 milhões de reais. O senador já foi citado em 28 processos por dívidas e chegou a ser condenado em várias instâncias por sonegação fiscal. Parte dos processos subiu ao Supremo Tribunal Federal. O craque estava a um passo de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa e só escapou por ter, finalmente, desembolsado 1,4 milhão de reais, renegociando o restante.
Um apartamento de Romário, avaliado em 4 milhões de reais, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste carioca, quase foi a leilão há poucos meses por falta de pagamento de 600 000 reais em taxas de condomínio. Na última hora houve acordo, e a dívida está sendo renegociada. Se Romário o perdesse, seria reincidência: em 2009, ele foi obrigado a entregar uma cobertura de 8 milhões de reais no luxuoso condomínio Golden Green, também na Barra. O imóvel foi leiloado por falta de pagamento de taxas. Quando o empresário Edson Bueno, então dono da Amil e comprador do imóvel, pegou as chaves, ficou impressionado com o estado de depredação. Romário diz que arrancou um aparelho de ar condicionado. Outras duas propriedades dele foram tomadas pela Justiça para quitar dívidas.
Romário não leva uma vida modesta. Ele circula pelo Rio de Janeiro em uma Ferrari vermelha, que, por via das dúvidas, registrou no nome de uma ex-mulher. Seus bens são condizentes com os ganhos de quem já foi o jogador mais bem pago do Brasil – no Flamengo, recebia 320 000 reais por mês, em valores atuais. Da experiência, aprendeu que ganhar dinheiro é bom; gastar, nem tanto. Vitorioso na política – na qual entrou como deputado federal e, na eleição seguinte, já se transferiu para o Senado com votação recorde -, em 2013 ameaçou deixar seu partido, o PSB, e viu-se alvo de intensa disputa por seu passe.
Quatro caciques de diferentes siglas envolvidos nas negociações disseram a VEJA que Romário é pragmático e a medida do seu interesse passava sempre por alguma recompensa. Acabou ficando no PSB. Expoentes de seu círculo contam que a recompensa nesse caso seria o pagamento do aluguel da mansão de 10 milhões de reais onde ele mora em Brasília. Tanto o partido como o senador negam o arranjo. Saldar o que deve, tudo indica, ele pode. Calcula-se que Romário tenha rendimentos anuais de 5 milhões de reais, entre campanhas publicitárias e pagamentos atrasados. Só do Flamengo, ele ainda recebe 159 000 reais por mês. O salário de senador é de 33 700 reais. Quando se esclarecerem as circunstâncias de sua conta no BSI, o Baixinho vai ter mais alguns milhões de razões para driblar seus credores.
Assim como Maluf, Romário nega
Como é comum nesses casos de político no exercício do mandato apanhado com a boca na botija, Romário partiu para o ataque contra os repórteres de Veja. Ameaçou processá-los. Que fofo!
Também afirmou que o dinheiro não lhe pertence. Isso não é novo. A tática não é nova. Paulo Maluf utiliza com muito mais habilidade. “Espero que seja verdade, como trabalhei em muitos clubes fora do Brasil, é possível que tenha sobrado algum rendimento que chegou a esta quantia. Estou me sentindo um ganhador da Mega Sena, só que do meu próprio honesto e suado dinheiro”, escreveu o senador em sua página no Facebook.
Ainda no Facebook, o jogador tenta desqualificar a publicação. “O que há de estranho nisso é a informação da revista de que a aplicação seria de 2013, certeza que eu não fiz nenhuma aplicação no período recente. Também não recebi nenhuma notificação do Ministério Público a respeito. Mas como se trata da revista Veja, se a informação estiver errada não será nenhuma surpresa. Essa mesma matéria diz, por exemplo, que eu desfilo de Ferrari pelas ruas do Rio, algo impossível já que o carro já não se encontra na cidade há alguns anos. A saber, o veículo foi comprado em 2004. O repórter diz ainda que eu teria negociado com meu partido, o PSB, o pagamento do aluguel da casa onde moro no Lago Sul, como uma forma de compensar minha refiliação a legenda. Essas e outras mentiras costuram o enredo de uma farsa. Coisa que a revista tem expertise em fazer”.
Sobre esse último trecho da declaração do senador, não é apenas Veja que diz isso. Já ouvi relatos de que ao buscar uma nova legenda para se filiar, Romário, antes de aportar no PSB, “promoveu uma espécie de leilão”. Tudo leva a crer que esta não será a primeira e nem a última reportagem envolvendo o ex-jogador.
Como sugestão de pauta a revista Veja, eu aconselharia ouvir relatos de dirigentes do PSB nos municípios do estado do Rio que foram expurgados por Romário. As exigências que antecederam o expurgo não são nada republicanas.








