Prefeito da cidade de Quissamã-RJ, que já deteve o maior PIB per capta do país, Octávio Carneiro morreu de câncer aos 80 anos depois de enfrentar uma conspiração envolvendo membros do próprio governo e vereadores dissidentes da bancada governista |
Octávio Carneiro, de 80 anos, era um rico fazendeiro na cidade de Quissamã, no Norte Fluminense. Herdeiro do conde de Araruama, figura nobre e amiga do imperador Dom Pedro II, soube manter os espólio familiar criando gado de corte.
Gostava do campo. Acordava cedo e participava pessoalmente da vacinação do gado. Era também uma figura popular e generosa, o que o ajudou a torna-se o primeiro prefeito da cidade que se emancipara de Macaé na década de 90. Nas ruas era carinhosamente chamado de “Veio”. O salário de prefeito era gasto com pagamento de contas levadas por populares.
Foram três mandatos numa época próspera, quando os royalties do petróleo estavam em alta. O orçamento permitiu construir uma infraestrutura invejável para os padrões regionais e a criação de um estado do bem estar social que marcou as três primeiras gestões.
Em 2008 Octávio Carneiro foi candidato, enfrentando o seu afilhado, o então prefeito Armando Carneiro (PSC), a quem ajudara eleger quatro anos antes. Perdeu e chegou a cogitar o afastamento definitivo da política, principalmente depois de alguns embaraços jurídicos, o principal deles, decorrente de um apoio financeiro de R$ 10 mil para reforma do telhado de uma igreja católica.
Em 2012, no entanto, ele conseguiria reverter o embaraço e voltou a disputar a eleição, desta vez obtendo uma vitória consagradora. O governo, no entanto, foi tumultuado. Paralelo a crise financeira decorrente da queda acentuada na arrecadação de royalties, o prefeito passou a enfrentar problemas internos com a própria equipe. No seio do governo emergiu uma conspiração sincronizada com um grupo de vereadores dissidentes da base governista, que produziu uma Comissão Processante para alguns atos administrativos. O prefeito foi chamado para depor, ato considerado constrangedor e repudiado até mesmo por adversários políticos.
O prefeito que já fazia um tratamento quimioterápico por conta um câncer, ficou profundamente abalado e o desgaste emocional acabou por comprometer ainda mais o quadro clínico. “Ele era um homem de bem e não estava acostumado a passar por aquele tipo de constrangimento”, destaca o ex-deputado José Maurício Linhares, que chegou a visitar o ex-prefeito no período da crise política. “Foi algo inimaginável: era uma conspiração que contava com integrantes do próprio governo”, disse.
Octávio Carneiro faleceu na madrugada desta terça-feira (28/07) no Hospital Maria Mariana de Jesus, em Quissamã. Ele estava na UTI desde o último domingo.
O corpo está sendo velado na capela São Manoel, onde vivia recolhido com a família. O sepultamento está marcado para as 15h no Cemitério São João Batista, logo após a celebração de uma missa de Corpo presente na Igreja de Nossa Senhora do Desterro. Octávio Carneiro não tinha filhos. Ele deixa viúva Hermínia Alvarez Parada Carneiro da Silva, com quem foi casado por 52 anos.








