O ex-presidente da Câmara de Vereadores de Campos (RJ), Marco Bacellar, publicou um longo vídeo nas redes sociais em defesa do filho, Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que está preso e afastado do cargo. Em tom de desabafo, Bacellar pai acusou adversários políticos e integrantes de instituições públicas de terem participado de uma suposta articulação para retirar o filho da disputa pelo governo estadual.
Ele atribuiu a suposta operação política ao candidato ao governo do Rio Eduardo Paes (PSD) e também responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
As acusações foram apresentadas por Marco Bacellar sem a exposição, no vídeo, de documentos ou outras provas capazes de demonstrar a existência da articulação descrita por ele.
As declarações representam, portanto, a versão e a interpretação política de um pai aflito com os acontecimentos envolvendo o filho.
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Marco Bacellar diz que ficou em silêncio a pedido do filho
Durante a gravação, Marco Bacellar afirmou que pretendia fazer o desabafo havia algum tempo, mas teria sido convencido pelo próprio Rodrigo a permanecer em silêncio.
Segundo ele, a prisão do filho provocou uma dor que vinha acumulando desde o início do caso.
O ex-vereador também recordou a rápida ascensão política de Rodrigo Bacellar no estado do Rio. Antes da crise que resultou no afastamento, Bacellar havia alcançado a presidência da Alerj e ampliado sua influência entre diferentes grupos políticos fluminenses.
Bacellar sustenta que o filho estava sendo preparado para disputar o governo estadual e que justamente essa projeção teria motivado uma ação para retirá-lo da corrida eleitoral.
Eduardo Paes é principal alvo das acusações
Eduardo Paes foi um dos principais alvos do vídeo. Marco afirmou que o adversário teria interesse em retirar Rodrigo Bacellar da disputa pelo governo do Rio e o acusou de participar de uma suposta articulação para atingir politicamente o então presidente da Alerj.
O ex-deputado não apresentou provas dessa acusação durante a gravação.
Em outro trecho, Marco relacionou o caso à eleição estadual e declarou apoio a Douglas Ruas. Segundo ele, a decisão de sua família de apoiar o candidato não teria sido resultado de qualquer pedido feito por Ruas.
Marco também fez ataques pessoais contra Paes durante a gravação. Parte dessas declarações envolve aspectos da vida privada do candidato e não acrescenta informação verificável sobre o caso envolvendo Rodrigo Bacellar, razão pela qual não é reproduzida nesta reportagem.
Lula e ministros do STF também são atacados
O presidente Lula também recebeu críticas duras. Marco afirmou ter uma relação política antiga com o campo de esquerda e disse que chegou a apoiar Lula em eleições anteriores, mas declarou estar decepcionado com o presidente.
No vídeo, ele acusa Lula de ter participado da suposta articulação contra Rodrigo Bacellar e relaciona o presidente a ministros do Supremo. Mais uma vez, não apresenta provas de que Lula tenha interferido no caso do filho.
O desabafo foi direcionado especialmente a Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Também criticou outros integrantes do Judiciário e defendeu uma ampla reforma no sistema de Justiça.
Em diferentes momentos, afirmou que ministros deveriam deixar seus cargos e chegou a defender prisões. As declarações foram feitas em meio a ataques verbais e palavrões.
Além das acusações relacionadas ao filho, Marco Bacellar ampliou o discurso para uma crítica ao funcionamento das instituições brasileiras.
Ele defendeu mudanças profundas no Judiciário e afirmou que o STF deveria passar por uma reforma.
O ex-deputado também criticou a Polícia Federal e sua direção, alegando que investigações seriam direcionadas contra determinados alvos.
Nenhuma evidência dessa alegação foi apresentada no vídeo.
A Polícia Federal atua sob controle judicial em investigações submetidas ao Judiciário, e acusações de manipulação de operações precisam ser sustentadas por elementos concretos para serem tratadas como fatos.
Marco aposta em mudança política no Congresso
Marco também relacionou a situação do filho à nova composição política do Congresso Nacional.
No vídeo, demonstrou expectativa de que o fortalecimento da direita no Senado e na Câmara provoque mudanças na relação entre Legislativo, Executivo e Judiciário.
Ele citou Rogério Marinho e Arthur Lira ao projetar futuras mudanças no comando do Congresso e chegou a falar na possibilidade de impeachment de Lula.
As declarações refletem as expectativas políticas apresentadas por Marco. A abertura de um processo de impeachment, entretanto, depende de procedimentos constitucionais e decisões institucionais específicas.
Vídeo intercala revolta e emoção
A gravação tem um tom marcadamente pessoal.
Marco alterna ataques a adversários com momentos em que demonstra emoção ao falar da situação de Rodrigo. Em determinado trecho, interrompe a fala e respira profundamente antes de continuar.
Ele afirma que sua prioridade é ver o filho em liberdade e sustenta que Rodrigo conseguiria permanecer preso por mais alguns meses até que, na avaliação dele, mudanças políticas criassem um cenário favorável.
O ex-deputado também rejeitou associações entre o filho e organizações criminosas.
A defesa de Rodrigo Bacellar e as investigações relacionadas ao ex-presidente da Alerj devem ser analisadas a partir dos processos judiciais e das provas formalmente produzidas, independentemente das acusações políticas apresentadas por familiares ou adversários.
O vídeo representa uma manifestação política e pessoal de Marco Bacellar e reúne acusações e críticas contra diversas autoridades.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








