Durante quase todo o segundo tempo, a Inglaterra esteve a poucos minutos de encerrar uma espera de seis décadas. A Argentina, porém, transformou a pressão final em uma virada dramática e venceu os ingleses por 2 a 1 nesta quarta-feira (15), no Estádio de Atlanta, garantindo presença em mais uma decisão da Copa do Mundo.
Anthony Gordon abriu o placar aos 10 minutos da etapa final. Quando a classificação inglesa parecia encaminhada, Enzo Fernández empatou aos 40, e Lautaro Martínez marcou o gol da vitória aos 47. Lionel Messi deu as assistências para os dois gols argentinos.
A atual campeã mundial disputará a segunda final consecutiva e enfrentará a Espanha no domingo (19), às 16h, no Estádio de Nova York/Nova Jersey, em East Rutherford. Os espanhóis chegaram à decisão depois de derrotarem a França por 2 a 0.
A Inglaterra terá de se recuperar para disputar o terceiro lugar contra os franceses no sábado (18), em Miami. A derrota impediu a seleção de retornar à final pela primeira vez desde o título conquistado em 1966.
Jogo físico e poucas oportunidades
A semifinal começou com forte disputa no meio-campo e poucas possibilidades de construção ofensiva. Argentina e Inglaterra adotaram marcação intensa, cometeram faltas sucessivas e impediram que os principais jogadores encontrassem espaço perto das áreas.
O primeiro tempo terminou sem gols e sem finalizações certas. As duas seleções somaram 19 faltas e receberam dois cartões amarelos antes do intervalo, reflexo de uma partida marcada mais pelo contato físico do que pela criação de oportunidades.
Messi encontrou dificuldades para se aproximar do gol defendido por Jordan Pickford. Do outro lado, Harry Kane também teve pouca participação e recebeu poucas bolas em condições de finalizar.
A Argentina procurava circular a posse e avançar principalmente pelo lado direito, enquanto a Inglaterra tentava utilizar a velocidade de Gordon e Morgan Rogers. As defesas, entretanto, levaram vantagem durante praticamente toda a primeira etapa.
Depois do intervalo, os argentinos retornaram tentando aumentar o ritmo. A equipe adiantou seus meio-campistas e passou a ocupar o campo ofensivo, mas foi a Inglaterra que conseguiu transformar uma das primeiras boas jogadas em gol.
Gordon coloca ingleses em vantagem
Aos 10 minutos do segundo tempo, Declan Rice iniciou a jogada com um toque rápido para o corredor. Morgan Rogers avançou e cruzou a bola diante do gol argentino.
Anthony Gordon apareceu nas costas da marcação e finalizou de primeira, superando Emiliano Martínez. O gol colocou a Inglaterra em vantagem e modificou completamente o comportamento das duas equipes.
Os ingleses passaram a proteger o resultado com linhas mais baixas, enquanto a Argentina aumentou sua presença no ataque. A posse argentina cresceu, mas Pickford e os defensores conseguiram impedir a criação de oportunidades claras durante boa parte do segundo tempo.
Nicolás González, acionado na etapa final, obrigou Pickford a realizar uma defesa importante em uma cabeçada. Alexis Mac Allister também acertou a trave quando a pressão argentina começava a cercar a área inglesa.
A Inglaterra passou a ter dificuldade para conservar a bola e deixou Kane cada vez mais isolado. As tentativas de contra-ataque se tornaram menos frequentes, permitindo que os argentinos mantivessem seus jogadores próximos ao gol adversário.
Na reta final, o técnico Thomas Tuchel reforçou o sistema defensivo. Reece James e Declan Rice foram substituídos por Dan Burn e Nico O’Reilly aos 37 minutos, numa tentativa de construir uma barreira diante da área. Três minutos depois, a vantagem desapareceu.
Enzo empata e Lautaro completa virada
Aos 40 minutos, a Argentina cobrou rapidamente um escanteio pelo lado direito. Messi recebeu a bola, avançou em direção à área e encontrou Enzo Fernández livre na entrada.
O meio-campista dominou e acertou uma forte finalização de fora da área. A bola ganhou direção no caminho até o canto superior e não permitiu a defesa de Pickford. O empate colocou novamente os argentinos na disputa e aumentou a pressão sobre uma Inglaterra que já demonstrava dificuldades para sair do campo defensivo.
Lautaro Martínez havia entrado aos 36 minutos, no lugar do lateral Nicolás Tagliafico. A substituição mostrou que a Argentina não pretendia esperar pela prorrogação e estava disposta a correr riscos para buscar a classificação ainda no tempo regulamentar.
Aos 47 minutos, Messi recebeu pelo lado direito, conseguiu evitar a saída da bola e levantou na área. Lautaro se antecipou aos defensores e cabeceou de curta distância para completar a virada.
Os jogadores argentinos correram em direção a Messi após o gol, reconhecendo a participação do capitão na jogada decisiva. A Inglaterra ainda tentou avançar nos instantes restantes, mas não conseguiu criar uma oportunidade para empatar.
Messi terminou a semifinal sem marcar, mas teve influência direta no resultado. Além de iniciar a jogada do empate, o camisa 10 realizou o cruzamento para o gol de Lautaro e chegou a 12 assistências em Copas do Mundo, segundo levantamento apresentado pela Reuters.
A atuação também ampliou o protagonismo do argentino na competição. Aos 39 anos, Messi lidera a equipe que tentará defender o título conquistado em 2022 e alcançar uma marca que não ocorre há mais de seis décadas.
Inglaterra perde controle na reta final
A estratégia inglesa funcionou até os últimos minutos, mas a decisão de recuar e concentrar jogadores na defesa permitiu que a Argentina mantivesse pressão constante.
Depois do gol de Gordon, a Inglaterra diminuiu sua presença no ataque e deixou de sustentar a posse por períodos mais longos. A equipe passou a depender de afastamentos da defesa e perdeu a capacidade de impedir que Messi recebesse pelo lado direito.
As mudanças realizadas na reta final também reduziram as possibilidades de contra-ataque. Com Kane isolado e Gordon já substituído, os ingleses não conseguiram ameaçar a defesa argentina quando recuperavam a bola.
A derrota foi especialmente dolorosa porque a Inglaterra permaneceu em vantagem até os 40 minutos do segundo tempo. Em sete minutos, a equipe viu o retorno à final escapar com os gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez.
Os ingleses chegaram a Atlanta tentando alcançar a segunda decisão de sua história. A única participação anterior ocorreu em 1966, quando conquistaram o título diante de seus torcedores.
Agora, a seleção tentará encerrar a campanha com a terceira colocação diante da França. O resultado também deverá provocar discussões sobre a postura adotada para proteger a vantagem nos minutos finais.
Argentina buscará o quarto título
A Argentina disputará sua segunda decisão consecutiva e terá a oportunidade de conquistar o quarto título mundial. A seleção foi campeã em 1978, 1986 e 2022.
Uma vitória sobre a Espanha também transformaria os argentinos nos primeiros bicampeões consecutivos desde o Brasil, vencedor das Copas de 1958 e 1962.
A final reunirá duas seleções que chegam à decisão com características diferentes. A Argentina possui o ataque mais produtivo do torneio, enquanto a Espanha apresenta a defesa menos vazada e sofreu apenas um gol durante toda a campanha.
Os espanhóis buscam o segundo título, depois da conquista de 2010. A Argentina tenta manter o troféu e confirmar mais um ciclo de protagonismo sob a liderança de Messi.
Em Atlanta, a equipe sul-americana esteve próxima da eliminação, mas demonstrou novamente capacidade para reagir nos momentos decisivos. Enzo Fernández devolveu a esperança, Messi comandou as jogadas e Lautaro Martínez transformou um cruzamento nos acréscimos em passagem para a final.
*Da Agência Fonte Exclusiva








