Ex-governadora denuncia manobra do ex-presidente do TJ do Rio, Luiz Zveiter, para condenar Anthony Garotinho;
Da redação
Em carta aberta endereçada à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Carmem Lúcia, a ex-governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, denuncia corrupção no judiciário estadual e pede ajuda para enfrentar as perseguições atribuídas ao ex-presidente da corte estadual, Luiz Zveiter.
Desembargador Luiz Zveiter
Rosinha define o desembargador como o braço do ex-governador Sérgio Cabral (preso no âmbito da operação Lava Jato) no judiciário carioca.
O esposo de Rosinha, o ex-governador Anthony Garotinho, foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão. Ele é acusado pelo promotor público Leandro Manhães de comprar votos na eleição do ano passado usando o programa social do município de Campos dos Goytacazes, Cheque Cidadão.
O advogado de defesa Carlos Azeredo denuncia perseguição contra o cliente. Crime eleitoral não prevê prisão. Os réus, geralmente, são punidos com prestação de serviços. O advogado também argumenta que Garotinho não comprou votos. Ele era secretário de governo, não tinha gerência sobre o programa social e não foi candidato na última eleição, segundo o advogado. Clique aqui e confira vídeo:
Confira abaixo a carta de Rosinha Garotinho na íntegra:
Foto: Facebook
CARTA ABERTA A MINISTRA CARMEM LÚCIA.
Assisti sua posse,me senti orgulhosa como brasileira e mulher.
Meu marido,um homem difícil de elogiar alguém,sempre falou de sua integridade e coragem.
Por favor
aqui fala uma mulher que não suporta mais ver sua família humilhada, perseguida a mando do senhor Luís Zveiter.
Ele vem tentado desde o ano passado chantagear meu esposo por terceiros ou como fez na audiência da última terca feira ,na 43 vara do Fórum Rio de Janeiro.
Meu marido o denunciou por corrupção e outros crimes e ele sabe que se for investigado junto com a empreiteira Delta,perderá o controle que hoje tem sobre a justiça amedrontada do Rio.
Vejo nos seus olhos a coragem de uma mulher forte,mas o poderoso que escapou do escanda-lo da Cyrela,dos concursos fraudados,de acordos imorais para atingir seus objetivos,um delas a senhora impediu,sua eleição pela terceira vez para o Tribunal de Justiça do Rio,um homem que chegou ao absurdo de interferir num concurso de cartórios para favorecer pessoas que nem sabiam escrever “porém eram amigas do rei ZVEITER”, não se acha acima da lei,mas a própria lei.
Como esposa e mãe já pedi ao meu marido para deixar de fazer jornalismo investigativo e política, mas ele sempre diz que prefere enfrentar gigantes que humilhar anões.
Não permita que esse gigante transgressor da justiça nos massacre como vem fazendo há anos, usando sua intimidação dentro da própria justiça. No ano passado atuou para fraudar a vontade popular na nossa cidade, utilizando-se de um promotor corrupto, que responde a investigação criminal no MP do estado, de um delegado torturador e um juiz que faz o que ZVEITER determina.
Senhora presidente,
Meu marido não roubou nem desviou dinheiro público, não cometeu crime algum,ele apenas denunciou os maiores corruptos do estado que foram presos mas continuam dando ordem de dentro do presídio, inclusive para mata-lo.
Nossa vida é simples, nossa força vem de uma coragem que sinceramente não sei de onde o Garotinho tira, onde consegue tanta força.
Eu lhe peço… me ajude a continuar acreditando na justiça, nos ajude a salvar o estado do Rio das mãos dos criminosos que mesmo atrás das grades, conseguem aliados afim de calar, prender, humilhar, se for preciso até matar, como fizeram com a Juíza Patrícia Acioli.
Talvez nem tome conhecimento de minha carta, escrevi, pois minhas forças estão se esgotando.
Se não fosse o MP e a justiça Federal o Estado do Rio estaria até hoje nas mãos dos malfeitores liderados por Sérgio Cabral.
Zveiter é o braço dele no Judiciário estadual.
Peço a Deus que a inspire em seus grandes desafios diários que acompanho, mesmo estando distante.
Confiante na mulher de fala calma e pulso firme, peço sua ajuda para livrar o Tribunal do Estado do Rio, daquele que pelo exemplo de impunidade está corrompendo os magistrados do nosso estado pelo medo.
Esse não é um exemplo inspirador, pelo contrário, estimula a ideia que o crime compensa.
A justiça não pode fechar os olhos para quem quer usa-la em benefício de fins escusos e perseguição.