O Ministério Público Eleitoral (MPE) manifestou-se pelo afastamento da prefeita de Cardoso Moreira (RJ), Geane Vincler (União Brasil), após apuração de denúncias graves de corrupção e abuso de poder político durante as eleições de 2024.
De acordo com parecer da 141ª Promotoria Eleitoral, a investigação confirmou que o programa municipal de aluguel social foi manipulado como ferramenta para coação de eleitores. Beneficiários relataram que eram monitorados em redes sociais e aqueles que apoiavam adversários políticos tinham seus benefícios cortados imediatamente, como forma de retaliação.
O processo aponta que a manutenção do benefício estava diretamente condicionada ao apoio à candidatura de Geane Vincler.
Além disso, o relatório destaca um aumento expressivo e injustificado de contratações por Recibo de Pagamento Autônomo (RPA) no ano eleitoral, caracterizando “cabide de empregos” e uso da máquina pública para benefícios eleitorais.
Entre as provas apresentadas estão depoimentos de ex-beneficiários, registros de controle de pagamentos e mensagens compartilhadas em grupos institucionais de WhatsApp contendo propaganda eleitoral. O parecer ressalta ainda a centralização e guarda informal de documentos do programa social por pessoas ligadas à prefeita.
Para o Ministério Público Eleitoral, há provas robustas de que Geane Vincler e sua vice, Neriete Alves, cometeram abuso de poder político e econômico, usando recursos públicos para vantagem ilícita nas eleições.
O órgão pede, com base em lei federal, a cassação dos mandatos, inelegibilidade das rés por oito anos e anulação dos registros de candidatura.
O parecer do MP reforça que tais irregularidades afrontam princípios como impessoalidade, moralidade e igualdade, “ferindo de morte a isonomia do processo eleitoral”. Para o órgão, a conduta das atuais gestoras comprometeu de forma grave a lisura do pleito municipal e a própria democracia local.
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