O crescimento das plataformas de jogos online e dos aplicativos de comunicação entre jogadores tem acendido um sinal de alerta entre autoridades de segurança digital no Brasil.
Especialistas afirmam que ambientes virtuais usados diariamente por milhões de jovens podem servir como porta de entrada para práticas ilegais relacionadas a crimes cibernéticos.
Segundo o delegado pernambucano Sérgio Luiz Oliveira do Santos, que atua no combate a crimes digitais e pesquisa cibersegurança no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), muitos usuários iniciam com pequenas infrações dentro dos próprios jogos e, aos poucos, passam a integrar atividades criminosas mais sofisticadas.
De acordo com ele, a trajetória costuma começar com o uso de programas para obter vantagens indevidas em partidas, clonagem de contas ou comercialização irregular de itens virtuais. Com o tempo, alguns acabam migrando para golpes financeiros, invasões de sistemas e fraudes bancárias.
“O ambiente digital acaba aproximando jovens de ferramentas e práticas ilegais. Muitas vezes, o primeiro contato ocorre em jogos online”, explicou o especialista.
Mercado virtual movimenta dinheiro e atrai criminosos
Os jogos eletrônicos movimentam um mercado milionário envolvendo acessórios digitais, personagens, moedas virtuais e itens raros. Em alguns casos, determinados objetos vendidos dentro dos games chegam a valer milhares de reais.
Esse cenário também favorece ações ilegais. Hackeamento de contas, furtos de itens virtuais e golpes envolvendo vendas falsas estão entre as ocorrências mais frequentes registradas em plataformas gamer.
Usuários relatam que, em comunidades online, existem grupos especializados em ensinar formas de burlar sistemas de proteção dos jogos, além da venda de ferramentas usadas para invasões digitais.
Para os investigadores, o problema ganha dimensão maior quando essas habilidades passam a ser utilizadas fora do universo dos games, atingindo pessoas e empresas em golpes financeiros.
Crimes digitais crescem entre jovens
As autoridades apontam que grande parte dos suspeitos de crimes cibernéticos no país é formada por jovens adultos familiarizados com tecnologia e redes sociais. Muitos aprendem de forma autodidata ou utilizam programas prontos adquiridos na internet clandestina.
Mesmo sem conhecimentos avançados em programação, esses usuários conseguem aplicar golpes utilizando links falsos, páginas clonadas e softwares maliciosos.
Segundo o delegado, muitos criminosos acabam sendo identificados após exibirem nas redes sociais sinais de enriquecimento repentino, como carros de luxo, viagens e compras de alto valor.
Pais devem acompanhar atividades online
Especialistas reforçam que o acompanhamento familiar é essencial para reduzir os riscos. Plataformas de jogos e aplicativos de conversa se transformaram em importantes espaços de convivência entre adolescentes, o que exige atenção redobrada dos responsáveis.
A orientação é que pais monitorem o comportamento digital dos filhos, conversem sobre segurança virtual e fiquem atentos a mudanças de comportamento, contatos suspeitos e interesse excessivo por conteúdos relacionados a invasões ou fraudes.
Nos últimos anos, o Brasil também avançou na criação de mecanismos legais voltados à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, ampliando regras de segurança para plataformas online.
*Da Agência Fonte Exclusiva








