O sucesso dos medicamentos injetáveis Ozempic e Mounjaro, originalmente indicados para o tratamento da diabetes tipo 2, despertou atenção também por seu uso no emagrecimento rápido.
Esse fenômeno aumentou a visibilidade dos produtos, mas trouxe riscos significativos à saúde, incluindo a circulação de versões falsificadas e manipuladas sem supervisão médica.
A endocrinologista Alessandra Rascovski, da Clínica AtmaSoma, em São Paulo, alerta que o crescimento do consumo exige protocolos rigorosos e políticas públicas adequadas. “A popularização do medicamento deve ser acompanhada de estudos sérios e medidas que garantam o uso responsável”, afirma.
O consumo seguro só é possível mediante prescrição médica, seja para controle da diabetes ou para redução de peso. Desde junho de 2025, farmácias brasileiras passaram a exigir a retenção das receitas de agonistas de GLP-1, levando algumas pessoas a buscar versões ilegais ou manipuladas do medicamento.
Em novembro de 2025, a Anvisa proibiu a prescrição de versões manipuladas desses medicamentos, após solicitação de entidades médicas. Entre os riscos do uso de produtos irregulares estão contaminação microbiológica, concentração imprevisível, reações alérgicas graves e efeitos severos como pancreatite, vômitos, distúrbios metabólicos, desidratação intensa e hospitalizações.
As fabricantes dos medicamentos também atuam contra falsificações. A Eli Lilly, produtora do Mounjaro, identificou circulação de substâncias suspeitas vendidas como seu medicamento, incluindo versões ainda não lançadas.
Testes das amostras ilegais revelaram bactérias, impurezas químicas e alterações na composição; em alguns casos, o produto continha apenas álcool de açúcar. Para ajudar os consumidores, a empresa lançou o LillyScan, ferramenta online que permite verificar a autenticidade por QR Code.
Especialistas reforçam que informação qualificada, acompanhamento médico e respeito às normas regulatórias são essenciais. Mesmo o uso correto dos medicamentos, quando direcionado apenas para fins estéticos, pode provocar alterações metabólicas e efeitos colaterais sérios.
“A utilização prolongada sem controle adequado pode alterar funções metabólicas e resultar em complicações”, alerta Rascovski. A recomendação é clara: emagrecimento rápido sem supervisão profissional representa um risco real à saúde.
*Da Agência Fonte Exclusiva








