Em meio a tensões crescentes na região, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o acusou de envolvimento com o narcotráfico e sugeriu a possibilidade de uma ação militar contra o país.
As críticas de Trump ocorreram após a operação americana em Caracas, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no fim de semana.
No sábado (3/1), forças norte-americanas bombardearam alvos militares na capital venezuelana em uma operação surpresa para retirar Maduro do poder.
No domingo, durante entrevista a bordo do Air Force One, Trump afirmou que a Colômbia é governada por “um homem doente, que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”, e mencionou que o país possui “fábricas e instalações de produção de cocaína”. Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar, o republicano disse: “Isso me soa bem. Sabe por quê? Porque eles matam muita gente”.
Petro refutou veementemente as acusações, afirmando que seu nome não consta em processos relacionados ao tráfico de drogas e destacando sua colaboração com investigações quando ainda era senador.
“Não leem a história da Colômbia; por isso erram ao nos criticar. Não pensem que a América Latina é apenas um ninho de criminosos envenenando seu povo. Respeitem-nos e leiam nossa história, que remonta a 30 mil anos em toda a América”, declarou o presidente colombiano.
O líder colombiano classificou o ataque a Caracas como histórico e inédito, alertando para as possíveis consequências caso tentem prendê-lo. “É a primeira vez na história que uma capital sul-americana é bombardeada.
Os EUA são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade. Despertarão a onça-pintada do povo”, afirmou.
O Ministério das Relações Exteriores da Colômbia considerou as declarações de Trump uma “interferência inaceitável”. Apesar da parceria histórica entre os dois países, as relações vêm se deteriorando, especialmente em temas ligados a tarifas e migração.
Petro também defendeu maior integração política e econômica da América Latina, chamando atenção para os efeitos do ataque em Caracas. Ele sugeriu que os países da região se unam em vez de adotar medidas individuais. “A América Latina precisa se unir, ou será tratada como serva e escrava, e não como o centro vital do mundo.
Uma América Latina com capacidade de compreender, negociar e se unir com o mundo inteiro. Não olhamos apenas para o norte, mas para todas as direções”, afirmou, propondo inclusive o apoio do Brasil para fortalecer a aliança regional.
*Da Agência Fonte Exclusiva








